Black Friday no setor de food: a oferta certa vale mais do que o maior desconto
*Por Bruno Primati, diretor para produtos de Food da TOTVS
Na Black Friday, oferecer descontos deixou de ser suficiente para se destacar. Em um mercado de alimentação cada vez mais competitivo, restaurantes, bares e empresas de food service precisam pensar não apenas em como vender mais, mas em como tornar suas ofertas relevantes para cada cliente, sem comprometer a rentabilidade da operação.
Para o setor de food, isso significa ir além das promoções generalizadas. Em vez de reduzir o preço de todo o cardápio, é possível estimular a experimentação de pratos, combinar produtos complementares ou criar ofertas para consumidores que não compram há algum tempo. No restaurante, um cliente que costuma pedir hambúrguer individual, por exemplo, pode ter mais interesse em um combo para compartilhar do que em um desconto em outro item. A diferença parece pequena, mas muda a lógica da campanha: em vez de reduzir preços indiscriminadamente, o estabelecimento busca gerar uma compra adicional ou aumentar o valor do pedido.
Nos bares, a estratégia pode considerar ocasiões de consumo, como happy hours, encontros entre amigos e confraternizações. Já empresas de food service que fornecem alimentos e insumos para outros negócios podem trabalhar condições comerciais por volume, recorrência ou planejamento de abastecimento. Em cada caso, a oferta precisa responder a uma necessidade específica, e não apenas reproduzir a fórmula promocional de outros segmentos.
É nesse contexto que a hiperpersonalização ganha espaço. Com o uso inteligente dos dados de compra e do histórico de relacionamento, os negócios podem compreender melhor as preferências dos consumidores e apresentar recomendações e ofertas mais alinhadas a cada perfil. No delivery, isso pode significar destacar um acompanhamento que combine com o pedido habitual, sugerir um produto ainda não experimentado ou oferecer um benefício para incentivar uma nova compra.
A tecnologia permite levar essa estratégia além de campanhas pontuais. Soluções digitais de delivery podem apoiar recomendações personalizadas e ações de relacionamento, ajudando os estabelecimentos a aproveitar melhor seus canais próprios e os dados gerados pelas interações com os clientes. O objetivo não é oferecer uma promoção diferente a qualquer custo, mas identificar oportunidades de consumo com maior potencial de conversão e recorrência.
Essa inteligência, no entanto, precisa estar conectada à operação. Uma oferta pode ser atrativa para o consumidor, mas pouco vantajosa para o restaurante se envolver um produto de margem reduzida, ingredientes com disponibilidade limitada ou um preparo que aumente o tempo de atendimento. Por isso, dados de comportamento precisam ser analisados em conjunto com informações de vendas, estoque, custos e capacidade produtiva.
Também é importante medir o resultado para além do faturamento durante a campanha. A ação trouxe novos clientes? Aumentou o tíquete médio? Estimulou compras adicionais ou apenas concedeu desconto a consumidores que já comprariam pelo preço normal? E quantas pessoas voltaram depois da Black Friday? Essas respostas ajudam a avaliar se a estratégia gerou valor real para o negócio.
A Black Friday pode ser uma oportunidade para o setor de food repensar a maneira como se relaciona com seus consumidores e clientes comerciais. Mais do que disputar quem oferece o maior desconto, o desafio está em combinar conhecimento sobre o público, inteligência de dados e eficiência operacional. Afinal, vender mais é importante, mas entender o que vender, para quem e com qual retorno pode fazer ainda mais diferença para o resultado.
