Digital, preditivo e conversacional: o futuro já em curso no varejo de vizinhança
*Por Julio Campos, CEO do Compra Agora
Não é preciso voltar muito no tempo para perceber a rápida evolução do processo de abastecimento do varejo de vizinhança no Brasil. A digitalização é a grande resposta aos desafios históricos do setor, como a necessidade de maior segmentação e personalização das ofertas, a complexidade das visitas de representantes comerciais a centenas de estabelecimentos e a otimização dos estoques. Embora ainda exista um longo caminho a ser percorrido, a tecnologia já transformou a maneira como os diferentes participantes desse ecossistema se relacionam.
Um dos pontos notáveis é o aumento da autonomia dos varejistas. Hoje, os marketplaces possibilitam a realização de pedidos pelo WhatsApp, com poucos cliques na tela e sem o auxílio de um vendedor. A inteligência de dados sugere listas pré-montadas com os produtos adequados para cada comerciante, reduzindo significativamente o tempo da jornada de compra. Uma facilidade muito bem-vinda para empreendedores que costumam dividir a administração do estoque com outras das inúmeras responsabilidades do negócio.
A tecnologia também permite que os times de vendas e de atendimento ao cliente dos marketplaces exerçam um papel estratégico e consultivo. As visitas a mercadinhos, distribuidores e indústrias ficaram mais focadas em entender as dores dessas empresas, estabelecendo uma relação que não é meramente transacional. Os marketplaces estão se transformando em ecossistemas, a partir de iniciativas que dão voz a todos os seus integrantes e aumentam a troca de informações entre atendentes e atendidos. Posso citar os clubes de testes, que inserem os usuários ativamente no desenvolvimento de novas funcionalidades, a divulgação de materiais educativos sobre gestão financeira, exposição da mercadoria e outras dicas relacionadas ao dia a dia do varejista, além da produção de conteúdo por influenciadores "reais" (como donos e caixas de pequenos estabelecimentos).
A inteligência artificial ocupa uma posição central nesse ecossistema. O machine learning (aprendizado de máquina) entra na operação como agente preditivo, apontando por quais produtos ou categorias determinado estabelecimento pode ter maior interesse naquele momento, considerando fatores como histórico de compras e perfil de consumo da região. É vantajoso para o comerciante, que otimiza a reposição do estoque, e para a indústria, que consegue ser mais assertiva nas promoções.
Esse, aliás, é um grande diferencial dos marketplaces em relação aos canais offline de distribuição do varejo. O dinheiro aplicado em uma plataforma digital é destinado diretamente à exposição da marca que fez o investimento. A partir dos dados, indica-se de maneira precisa o melhor posicionamento para os produtos oferecidos.
O futuro reserva uma digitalização sem precedentes para o segmento B2B, possibilitando que os mercadinhos sigam potencializando a economia em bairros de todo o Brasil, entregando uma experiência de proximidade ainda muito valorizada. Soluções personalizadas tornarão o varejo cada vez mais dinâmico e eficiente, com benefícios crescentes sobretudo para a última ponta da cadeia: o consumidor final.
