Preços de cafés começam a arrefecer no mercado
Após uma série intensa de altas no preço do café, com um salto de 81% nos últimos 12 meses até junho, agora o produto começa a demonstrar uma leve queda. Para acompanhar as movimentações da categoria, o Jornal Giro News acionou duas empresas especializadas em precificação. O levantamento da Precifica, que considera o café torrado e moído 500g, registrou uma tímida queda de R$ 36,87 em junho deste ano, para R$ 36,47 em julho. No ano passado, os preços eram R$ 20,20 e R$ 20,88, respectivamente. No acumulado de 2025, a variação média é de R$ 7,09. Dados da Pricemet apontam que o preço atingiu R$ 24,02 em julho, contra R$ 24,55 em junho. Neste caso, os números representam uma média de todas as embalagens, de 10g a 5kg, inclusive cápsulas. Em julho de 2024, o valor médio vigente era de R$ 18,12, representando uma variação anual de 32,6%. A categoria iniciou 2025 com preço de R$ 22,58 em janeiro.
Cenário Favorável na Categoria
Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, Celírio Inácio, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), ressalta que o avanço expressivo da categoria nos últimos meses é resultado de uma combinação de fatores. A conjuntura abrange safras frustradas por eventos climáticos desde 2021, desestímulos à expansão da área plantada e crescimento consistente da demanda internacional, especialmente na Ásia. “Apesar da forte pressão nos últimos meses, já se observa um movimento de acomodação nos preços ao final de junho e início de julho - tendência que deve continuar ao longo do segundo semestre”, afirma Celírio. Segundo o dirigente, esse comportamento está relacionado aos efeitos da colheita em andamento e à maior estabilidade climática, que contribuem para um cenário mais favorável nos preços para o consumidor.
Repasse de Preços ao Varejo
No entanto, a expectativa é que os reflexos dessa retração ainda não sejam vistos nas gôndolas. “Os repasses da queda da matéria-prima até o varejo não são imediatos. Eles dependem da renovação dos estoques que ainda foram adquiridos com preços elevados. A transição acontecerá gradualmente, à medida que esses lotes forem substituídos”, ressalta o diretor da ABIC. Assim, embora o patamar de preços ainda seja alto, a tendência para as próximas semanas é de possíveis ajustes de retração nos valores, com impactos progressivos nas gôndolas. Para a Cooxupé, dona das marcas Café Evolutto e Café Prima Qualità, os preços vêm sofrendo correções técnicas nos últimos meses devido à evolução da safra no Brasil e com o mercado sobrevendido. “Olhando para o futuro, para falar em preços mais altos ou mais baixos, é preciso avaliar alguns pontos, como produção total da safra que estamos colhendo, florada para a safra 2026, além de outros aspectos. Dentre eles, o que tem exercido mais força nas oscilações de preço é o clima”, conclui a cooperativa.
