Consumo de peixe em bares e restaurantes deve crescer 20% na Quaresma
O início da Quaresma volta a aquecer o consumo de pescado em todo o Brasil e gera forte expectativa de aumento de movimento em bares e restaurantes. Segundo a Abrapes (Associação Brasileira de Fomento ao Pescado), em diferentes capitais os dados já indicam um cenário de alta expressiva. Neste período, o consumo de peixe costuma crescer, em média, cerca de 20% no food service e no varejo, impulsionado pela tradição religiosa e pela substituição temporária da carne vermelha. Representando mais do que um aumento sazonal e uma tradição, agora o consumidor busca variedade e qualidade, tanto no pescado nativo quanto no importado, um comportamento que beneficia diferentes elos da cadeia produtiva, desde as empresas de pesca, criadores nacionais e importadores até o restaurante. Muitos estabelecimentos já ampliaram seus cardápios, diversificando espécies e apostando em receitas regionais e preparações mais acessíveis para atender à demanda crescente.
“A Quaresma é uma oportunidade de fortalecer negócios em todas as regiões do país. O crescimento do consumo de pescado mostra que o brasileiro valoriza cada vez mais a diversidade gastronômica e reconhece o peixe como uma proteína ao mesmo tempo versátil e acessível no dia a dia, mas também nobre nos cardápios mais refinados. Para bares e restaurantes, é um momento de ampliar a criatividade na oferta de pratos, atrair novos públicos e impulsionar o faturamento”, afirma Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
Quaresma nas Regiões
Segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o estado apresenta um consumo per capita de peixe quase quatro vezes maior que a média nacional, com cerca de 11 quilos por habitante ao ano. Em Manaus, feiras registram um crescimento expressivo nas vendas de espécies nativas, como tambaqui, jaraqui e matrinxã, especialmente nas semanas que antecedem a Semana Santa. Já no Pará, onde o consumo de pescado é um hábito cultural consolidado, o cenário se repete.
O Sudeste também apresenta avanços consistentes. Em São Paulo, dados oficiais da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) mostram que o entreposto movimentou mais de 5,1 mil toneladas de pescado no período da Páscoa do ano passado, com faturamento superior a R$ 71 milhões. Já em Brasília, o perfil de consumo mais especializado e o maior poder aquisitivo impulsionam a procura por peixes de maior valor agregado e por produtos diferenciados.
