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Imagem destaque: Irregularidades em azeites não configuram fraude, aponta mercado
Imagem ilustrativa/Créditos: Divulgação

Irregularidades em azeites não configuram fraude, aponta mercado

 A reprovação de azeites importados em uma ação do Ministério Público Federal em São Paulo ganhou o noticiário nos últimos dias. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio de seu laboratório de análises sensoriais, reavaliou diversos azeites comercializados em supermercados brasileiros. Os laudos apontam que marcas vendidas como extravirgem foram reclassificadas como azeites virgens, enquanto outras caíram para a categoria lampante, considerada imprópria para consumo. Diante disso, levantou-se no mercado a possibilidade de fraude na origem, tese essa contestada por especialistas do mercado.


Conservação impacta o projeto

 O azeitólogo e consultor em gastronomia, Marcelo Scofano, gravou um vídeo em seu Instagram nesta quinta-feira (13), explicando o cenário atual e reforçando as questões que impactaram os produtos analisados. “O que está claro nos laudos preliminares de análises realizadas é que os lotes correspondentes às amostras foram mal conservados, expostos à luz, ao calor e sabe-se lá em quais outras condições. Todo azeite extravirgem está sujeito a depreciar se exposto a condições adversas à sua boa conservação. Ele se tornará virgem e, se pior for a condição, se tornará lampante. Os azeites brasileiros premiados, de excelente qualidade, também sofrem esse mesmo processo, quando expostos às mesmas condições. Só não foram recolhidos, pois o ministério determinou fiscalização apenas aos importados”, afirmou o profissional.


Fragilidade estrutural

  Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, Rafael Marchiote, sócio-diretor da importadora Diretto, também reforçou os desafios logísticos e os impactos que a cadeia pode gerar nos produtos. “O azeite é um produto biologicamente ativo, não um item inerte de prateleira. Um azeite pode ser produzido e certificado como extravirgem na origem, com laudo de laboratório acreditado, e ainda assim chegar ao destino final fora dessa classificação — não porque foi fraudado na fabricação, mas porque a cadeia logística (transporte marítimo prolongado, armazenagem em clima quente, tempo de prateleira) o degradou pelo caminho”, explica. Rafael também orienta que consumidores podem tomar algumas precauções na escolha do produto: preferir embalagens escuras, garrafas bem vedadas (tendo em vista que por conta do oxigênio, o contato com o ar acelera o processo oxidativo) e lotes com validade mais recente (por reduzir o risco de adquirir um produto já degradado).


Nota oficial do MAPA

 O Ministério da Agricultura e Pecuária divulgou também nesta quinta-feira (13) um comunicado oficial sobre o processo atual. Confira abaixo na íntegra:


 “Em relação às notícias recentemente veiculadas sobre análises de azeites de oliva conduzidas no âmbito de uma ação civil pública, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esclarece que as informações divulgadas referem-se a resultados preliminares, ainda sem caráter conclusivo.

 

  As análises decorrem de procedimento realizado em atendimento a determinação judicial, no âmbito de ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF). Conforme os trâmites técnicos e administrativos previstos na legislação, os responsáveis pelos produtos têm direito à realização das análises periciais e contraprovas cabíveis, em observância aos princípios do contraditório, da ampla defesa e aos protocolos oficiais de controle da qualidade dos produtos.

 

  Por esse motivo, o Mapa não divulgou oficialmente os resultados das análises nem a identificação de marcas eventualmente relacionadas ao procedimento, uma vez que as informações ainda estão em processo de validação técnica e administrativa.”

 

  Até o momento, as informações referem-se à classificação dos produtos quanto aos padrões de identidade e qualidade e, por si sós, não indicam risco à saúde pública. Sempre que identificadas situações que possam representar risco aos consumidores, o Mapa adota imediatamente as medidas de fiscalização e comunicação previstas na legislação.

 

  O Ministério da Agricultura e Pecuária reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança dos alimentos e a proteção dos consumidores, divulgando informações oficiais somente após a conclusão dos procedimentos previstos na legislação, de forma a assegurar a confiabilidade dos resultados e a observância do devido processo legal”. 

14/08/2026

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