Proteína impulsiona consumo e inovação na indústria alimentícia
Produtos com apelo de saudabilidade e enriquecidos com proteína têm uma performance 50% superior a outras bebidas e alimentos no Brasil, segundo dados da NielsenIQ. Para Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi, o cenário representa uma oportunidade para a indústria agregar valor à chamada Cesta Abimapi, que inclui biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados. “Em todas as categorias temos opções enriquecidas com proteínas, fibras e outros nutrientes importantes na dieta, também atendendo a uma demanda por saudabilidade. No caso de pães, especialmente em opções de pães de forma enriquecidos com proteína; na categoria de biscoitos, há opções de monoporções, que oferecem a praticidade procurada pelo consumidor, com adição de proteína, fibras e outros nutrientes”, ressalta o dirigente, com exclusividade ao Jornal Giro News. Já entre as massas, destacam-se a proteína de ervilha e a sêmola de trigo durum, que elevam o teor proteico dos produtos.
Saudabilidade em foco
O consumo da categoria é puxado não apenas pelo comportamento no Brasil, mas por uma tendência global. “De acordo com a pesquisa global de Saúde e Bem-estar realizada pela NielsenIQ, em 2025, a tendência global ‘número 1’ identificada foi nutrição e saúde intestinal”, explica Zanão. Ele acrescenta que 74% dos latino-americanos consideram que a alimentação saudável se tornou mais importante nos últimos cinco anos, contra 58% a nível mundial. Isso reflete na busca por saciedade prolongada, gerenciamento de peso, envelhecimento saudável e a conveniência do snacking, ou seja, a substituição de refeições por lanches nutritivos e rápidos. O público jovem e o grupo 50+ estão entre os principais consumidores. “Os Millennials e a Geração Z são muito focados em fitness e estilo de vida ativo. Ao mesmo tempo, o público 50+ também consome produtos enriquecidos, seja por recomendações médicas, como pela busca por qualidade de vida ao envelhecer”, observa.
Equilíbrio de nutrientes
Sonia Romani, diretora técnica da Abimapi, alerta que o consumidor brasileiro está mais consciente, mas ainda há simplificações generalistas em relação aos produtos. “Muitos consumidores adotam a mentalidade de que proteína é sempre bom e emagrece e que carboidrato é o inimigo da balança, sem entender a necessidade de equilíbrio entre os nutrientes. A ciência da nutrição documenta que o corpo humano consegue utilizar eficientemente apenas entre 20g e 40g de proteína de alto valor biológico por refeição para a construção e reparação muscular.” Além disso, também há desafios de formulações para a indústria. “Colocar muita proteína em um pão pode deixar o produto seco, duro, com textura de areia e um forte sabor residual amargo. Os cientistas de alimentos utilizam tecnologias para resolver isso e entregar saudabilidade com sabor”, analisa Sonia.
Tendências de consumo
Dados da NielsenIQ apontam, ainda, que 35% dos brasileiros planejam comprar mais proteína animal e 52% dos consumidores pretendem aumentar as compras de proteína vegetal. Assim, segundo Claudio Zanão, o futuro aponta para o avanço das proteínas vegetais e o uso de tecnologia para suprir as necessidades dos mais diversos perfis brasileiros. “Acreditamos que haverá avanço dos produtos com apelo proteico, seja pela busca por saudabilidade como pelo avanço do uso do GLP-1, que continuarão ditando a preferência por produtos ricos em proteína e em porções menores. Outro pilar fundamental será o uso da tecnologia e engenharia de alimentos para garantir que a indústria continue inovando, oferecendo opções nutritivas, sem deixar de levar à prateleira produtos indulgentes”, conclui o presidente da Abimapi.

