Da parreira ao carrinho virtual: o avanço do e-commerce na Páscoa
O e-commerce tem passado por um movimento de alta nas vendas durante o período. Os números divulgados pelo mercado ainda não são muito claros, mas indicam uma evolução. De acordo com dados da Nielsen, por exemplo, 65% dos consumidores compram seus produtos de Páscoa via e-commerce – o instituto não detalha, porém, qual perfil de cesta representa esse percentual. Já na plataforma de e-commerce Nuvemshop, a quantidade de produtos catalogados como “Páscoa” cresceu 30% no faturamento, alcançando R$ 3,9 milhões. Foram vendidos cerca de 88 mil produtos específicos, o que representa um crescimento de 28% em relação a 2024. “A gente percebe que no digital há um comportamento mais para armazenamento ou compra em volume maior. Para itens presenteáveis, a experiência do físico segue sendo muito relevante. O crescimento digital existe, mas ainda é tímido e tem pouca participação no volume total”, pondera Priscilla Caselatto, gerente de marketing de chocolates Nestlé.
Presença na jornada de compra
Para as indústrias, o e-commerce representa uma oportunidade de estar presente em diferentes momentos da jornada do consumidor. “O e-commerce desempenha um papel fundamental na jornada de compra das nossas categorias e na Páscoa não é diferente. Ele apoia tanto o momento de descoberta quanto a decisão final do consumidor”, aponta Reinaldo Silva, Diretor de Trade Marketing da Ferrero para América do Sul, em entrevista ao Jornal Giro News. De acordo com o executivo, a Ferrero trabalha com duas frentes no e-commerce, sendo que a primeira é focada no público transformador, que utiliza Nutella em suas receitas e busca o produto no varejo digital, e a segunda é direcionada à compra de ovos de Páscoa online. “Assim como no ponto de venda físico, trabalhamos com lógica de antecipação e organização: a Páscoa é um período prolongado, e o digital é essencial para capturar essa demanda de forma contínua”, explica Reinaldo.
Experiência digital
Na Mondelēz Brasil, o digital faz parte da proposta de oferecer uma experiência integrada na sazonalidade. “A Páscoa não acontece apenas na comunicação; ela acontece no ponto de venda, na experiência digital e na forma como o consumidor encontra o produto. Orquestrar visibilidade, sortimento e mensagem de maneira integrada no varejo físico e online é essencial para transformar intenção em experiência”, comenta Ana Assis, diretora de Marketing de Lacta, Milka e Sazonais da Mondelēz Brasil. Neste cenário, a participação do e-commerce segue em crescimento. Em 2025, a Lacta registrou aumento superior a 50% nas vendas digitais na comparação com 2024. Para a companhia, os números refletem a busca do consumidor por conveniência e planejamento.
Inovação na estratégia
O canal digital favorece, ainda, a comparação de peso, sabor e valor dos produtos, além do acesso a cupons de desconto e às diferentes modalidades de recebimento, como o “Clique e Retire”, que elimina o valor do frete. No varejo, as redes observam a crescente relevância do e-commerce não só na jornada de compra, mas também na estratégia das empresas para atrair o shopper na Páscoa. “A tecnologia possibilita que a gente possa inovar em ações de experiência para os clientes, de acordo com cada estilo e região que atendemos, já que conseguimos conhecer melhor o nosso cliente, seu perfil de consumo e seus anseios”, conclui Jaqueline Cancela, diretora de marketing da rede Condor.
