Experiência híbrida e inteligência artificial pautam tendências tecnológicas no varejo
Se antes o shopper comprava apenas na loja física ou somente no e-commerce, agora, a realidade é uma jornada que mescla esses dois canais, através de diferentes serviços focados em omnicanalidade. “Estamos saindo de um mundo em que antigamente era o físico ou o digital de forma separada, e as jornadas estão se tornando híbridas. O cliente é híbrido, então tem hora que ele quer comprar no online e tem hora que ele quer comprar no físico. Ele também pode querer comprar no online e buscar no físico, ou comprar no físico e receber em casa. Então as jornadas estão transitando em todos os lugares”, destaca Elói Assis, diretor-executivo de produtos para Varejo da TOTVS, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News.
Do digital para o físico
Para o executivo, a integração entre digital e físico coloca as empresas em uma posição de vantagem competitiva. Essa demanda reflete na mudança de estratégia de canais de varejistas consolidados no mercado. “Estamos vendo empresas que eram pure player no digital indo para o físico também, como a Amazon comprando lojas físicas.” É o caso também de marcas como Beleza na Web, Mobly, Petlove e Wine, que nasceram no e-commerce e, nos últimos anos, passaram a investir em lojas. “Ominicalidade é prioridade, mas não é realidade em muitos dos clientes. Todo mundo entendeu e considera prioridade, mas poucos conseguiram aplicá-la na sua integralidade. Ainda existe uma divisão de canais e está aí o desafio do varejo no Brasil, principalmente nos médios varejistas”, avalia Elói.
IA no varejo alimentar
Outra tendência latente no mercado varejista é a inteligência artificial. Na TOTVS, esse movimento está sendo endereçado ao segmento supermercadista através de duas soluções. Uma delas é o Pricing Insights, voltado para supermercados e atacarejos. Através da IA, a tecnologia distribui a redução de preço feita em um produto para outros itens considerados menos sensíveis, visando equilibrar a margem de toda a categoria. “Outra solução é a Minha Gestão de Lojas, que tem recursos para dar mais produtividade dentro de uma loja de supermercado. Ela utiliza visão computacional para, por exemplo, medir se um preço está errado na gôndola e gerar uma ação de correção, além de capturar produtos próximos do vencimento”, explica João Alberto Giaccomassi, diretor para Varejo Supermercados da TOTVS. Para o executivo, ainda há muito espaço para a implementação de inteligência artificial nas áreas de gestão de estoque e predições do que os varejistas precisam comprar.
Digitalização de restaurantes
No food service, apesar de ainda ser pouco explorada, a IA pode ajudar na segmentação de clientes através do cruzamento das informações disponíveis. Segundo Claudio Cordeiro, diretor para produtos de Food Service e Hotelaria da TOTVS, isso permite ao empresário atingir especificamente o público em potencial para o seu negócio, além de poder mapear padrões de consumo e, com isso, otimizar a operação. “Ainda tem muito campo para ser explorado, mas a inteligência artificial navega em cima de dados. É preciso tomar cuidado na qualificação de dados sobre perfil, padrão de consumo e informações do cliente”, analisa. São observadas outras duas movimentações no setor. A primeira é a de dark kitchens, com operações de restaurantes focadas nos pedidos via delivery, que, de acordo com Claudio, devem crescer cada vez mais. A outra movimentação que se destaca é a automação em todos os processos, como os pedidos via totem. “A tendência é ter cada vez mais equipamentos de automação para interação entre o consumidor e o restaurante, não apenas para pedido, mas também avaliação e reputação”, finaliza o diretor.
