Indústrias adotam robôs para mudar dinâmica de ativações nas lojas físicas
O uso de robôs tem conquistado alguns cases no varejo brasileiro. Em entrevista ao Jornal Giro News, a Robotec dividiu alguns exemplos de indústrias que otimizaram sua comunicação e captura de dados nos pontos de venda. “Nós trabalhamos no segmento de robótica em ambientes sociais, então todos os nossos robôs precisam ter as habilidades para interagir com pessoas. Eles falam, escutam e podem navegar pelas lojas, interagindo fisicamente no ambiente e podendo ainda coletar inputs das pessoas, seja por reconhecimento de voz ou por toques na tela”, explica Guilherme Marostica, co-fundador da empresa, que desenvolveu trabalhos recentes com indústrias como Condor, Bauducco, Heineken e Seara.
Cases na Indústria
A empresa destacou uma ação da Condor nas unidades Vila Maria e Pacaembu do Atacadão, em São Paulo. Durante o período de 11 dias, o robô da empresa obteve 4.375 abordagens ativas. Segundo os dados, 30,06% dos clientes que iniciaram o fluxo no aplicativo clicaram para saber mais sobre a Condor, e desse total, 50,94% eram mulheres. “Para a Condor, a ideia era fazer o lançamento de produtos e promover uma divulgação maior com o robô. Inclusive, em alguns momentos o robô estava acompanhado com a promotora, então, foi uma ação conjunta também, potencializando ainda mais o resultado da ativação”, conta Guilherme. Outro destaque foi uma ação com a Heineken. “Levamos um robô a vários bares em São Paulo, onde a Heineken não dominava. Quando o cliente pedia o balde de cerveja do concorrente, o robô se deslocava até a mesa e dizia: ‘Por que você não troca por uma Heineken?’. Tivemos mais de mil mesas atendidas, e desse total, 68% de conversão”, revela.
Oportunidade no Varejo
Além das indústrias, a Robotec tem desenvolvido projetos com bandeiras de supermercados, integrando o programa de fidelidade. Assim, todas as vezes que o consumidor chega à loja, ele é reconhecido pelo robô - que já sabe qual é o seu padrão de consumo - e faz as recomendações de promoções, guiando-o até as gôndolas e atuando como um concierge dentro do supermercado. “O robô chega para potencializar a tarefa humana, como é o caso dos robôs que fazem o transporte de medicamentos no hospital, poupando o enfermeiro de perder o seu tempo se deslocando entre as alas”, afirma o executivo. No caso dos promotores nos supermercados, o papel do robô também é potencializar a ativação, chamando a atenção e dando mais peso para a ação. “Estamos fazendo muitas ativações conjuntas. Então, colocamos o promotor humano e o promotor robô, e os dois juntos têm uma sinergia muito forte”, comenta.
Caçador de Dados no PDV
Segundo Guilherme, com o software que é acoplado no robô é possível mensurar o comportamento de um produto recém-lançado e identificar tendências de mercado, por exemplo, além de proporcionar um posicionamento diferenciado aos produtos. “Com o Robotec Retail, o robô pode funcionar também como uma gôndola autônoma. O conceito é ter um robô autônomo que vai abordar pessoas. Quando um cliente passa na frente dele e olha para o robô, este se aproxima e inicia a interação. E o mais interessante é que o robô tem toda a capacidade de análise de dados”, comenta. Com o conceito de gôndola autônoma, todas as prateleiras são sensorizadas e a tecnologia consegue identificar qual produto foi retirado do robô. Além de estar atrelada à experiência e ao reforço de marca, a principal função do robô é capturar dados que permitirão às indústrias conhecerem melhor seu público e aprimorarem a tomada de decisões estratégicas.

