Efeito dos medicamentos GLP-1 desafia o food service a se adaptar
A recente aprovação do uso do Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 pela Anvisa reforça o avanço dos medicamentos à base de GLP-1 no Brasil e amplia o debate sobre seus impactos na sociedade. Mais do que uma questão de saúde, esse movimento começa a produzir efeitos diretos no comportamento de consumo especialmente no setor de alimentação fora do lar. Um estudo recente da NielsenIQ aponta que o chamado "efeito Ozempic" está mudando a forma como os brasileiros se alimentam, consomem e frequentam restaurantes.
Para Thiago Terra, Executivo de Estratégia Comercial e Trade Marketing da Grano Alimentos, líder no segmento de vegetais congelados no Brasil, o impacto já começa a aparecer no dia a dia do setor. “O que estamos vendo é uma mudança silenciosa, mas relevante: o consumidor passa a sair menos e, quando sai, faz escolhas mais conscientes. Isso mexe diretamente com o modelo tradicional do food service, que sempre foi muito apoiado em volume e consumo por impulso”, afirma.
Desafio do Setor
Para o food service, o desafio passa a ser duplo: lidar com um cliente que come menos e, ao mesmo tempo, mais exigente. A tendência aponta para uma valorização de cardápios com porções menores, opções mais leves, ricas em proteína e com apelo funcional, além de bebidas sem açúcar ou com benefícios adicionais. Outro ponto relevante é o enfraquecimento do consumo por impulso. Combos tradicionais como refeições completas com acompanhamento e bebida tendem a perder espaço para escolhas mais conscientes e personalizadas.
Na avaliação do executivo da Grano Alimentos, o movimento exige uma mudança prática na forma como o setor se organiza. "O consumidor não deixou de consumir fora de casa, mas está mais criterioso. Ele come menos, escolhe melhor e passa a valorizar aquilo que entrega benefício real, seja em qualidade nutricional, seja em experiência. Para o food service, isso significa repensar desde o tamanho das porções até a composição dos pratos e o papel das indulgências dentro do cardápio", afirma. O movimento sinaliza uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que pode ganhar escala nos próximos anos. Para o setor, o momento é de adaptação e de leitura atenta de um consumidor que está, literalmente, com menos fome, mas muito mais seletivo.
