Como os multiagentes estão redefinindo a eficiência e a produtividade no varejo?
*Por José Paulo Abi Jaudi, CEO da UPBI
No varejo moderno, onde o volume de dados, a complexidade da cadeia logística e as expectativas dos clientes se elevam a cada dia, os sistemas multiagentes emergem como uma solução com potencial transformador. Esses sistemas consistem de agentes autônomos, ou seja, softwares que cooperam, competem ou tomam decisões distribuídas, facilitando a resolução de problemas complexos de forma coordenada. Em vez de um único sistema central tomando todas as decisões, cada agente lida com uma parte específica, como revisão de demanda, reposição de estoque, roteirização logística, atendimento ao cliente, de forma sincronizada.
Há estudos que mostram o potencial de mercado dessas tecnologias. De acordo com o relatório da Mordor Intelligence, o mercado global de Agentic AI no varejo e o e-commerce devem alcançar aproximadamente US$ 175,11 bilhões até 2030. Entre os usos mais valorizados pelas grandes redes estão as recomendações personalizadas e a otimização da experiência de compra.
Ao adotar multiagentes, grandes varejistas podem ganhar produtividade de várias formas. Primeiramente, descentralizando decisões rotineiras, o sistema reduz atrasos, estoque parado ou rupturas. Além disso, agentes dedicados a previsão de demanda conseguem reagir mais rápido a picos, promoções ou variações sazonais, reduzindo custos de excesso de estoque ou perdas por deterioração. Outro impacto é sobre custos operacionais logísticos: tais agentes conseguem otimizar rotas, consolidar entregas, reagir a variações de trânsito ou clima, economizando tempo, combustível e melhorando a confiabilidade de entregas. Em ambientes de atendimento ao cliente ou suporte, agentes virtuais ou chatbots mais avançados permitem lidar com volume grande de interações mais simples, liberando tempo dos humanos para casos mais complexos.
A implementação, entretanto, exige investimentos e cuidados. É necessário obter dados de qualidade, com sensores confiáveis e capacidade de computação para rodar modelos em tempo real ou o mais próximo disso, além de governança de dados, privacidade e transparência. Outro desafio é o impacto organizacional, pois as equipes acostumadas a processos centralizados precisam se adaptar para confiar em decisões automatizadas, para aprender com erros e ajustar parâmetros.
Com isso posto, os sistemas multiagentes já deixam de ser uma curiosidade tecnológica para se tornarem parte da espinha dorsal da eficiência no varejo. Para grandes varejistas brasileiras, a aposta em multiagentes significa transformar complexidade em vantagem competitiva, entregas mais rápidas, menos perdas, níveis de serviço mais elevados e clientes mais satisfeitos. Quem investir nesse caminho agora se posiciona para colher ganhos reais de produtividade, custo e experiência nos próximos anos
