A reta final de 2025 e os quatro meios de pagamento que nenhum varejista pode ignorar
*Por César Garcia, CEO da OneKey Payments
O último trimestre do ano é sempre decisivo para o varejo brasileiro. Entre Dia das Crianças, Black Friday e Natal, é o momento em que o desempenho de todo o ano é definido e também quando o comportamento de consumo dita as tendências que vão guiar o mercado no ciclo seguinte. Em 2025, o foco está claro: oferecer experiências de pagamento rápidas, seguras e sem fricção será o divisor de águas entre as marcas que crescem e as que ficam para trás.
De acordo com a Neotrust, a Black Friday deste ano deve movimentar cerca de R$ 13,6 bilhões, um crescimento de 16,5% em relação a 2024. Esse cenário representa um consumidor cada vez mais exigente, que busca conveniência e não tolera processos lentos ou complicados no checkout. A boa notícia é que o avanço tecnológico colocou nas mãos dos varejistas ferramentas cruciais para atender a essa demanda.
Esses são os quatro meios de pagamento que devem ser prioridade absoluta nas estratégias de conversão e fidelização de clientes neste semestre:
1. Carteiras digitais com biometria: segurança que cabe no bolso
O pagamento por carteiras digitais já é rotina para mais da metade (54%) dos brasileiros, segundo dados recentes. Elas permitem transações no comércio físico e online com autenticação biométrica, dispensando o uso de cartões físicos. A conveniência é evidente, mas o impacto real está na segurança: ao eliminar o risco de clonagem ou perda de cartões, o varejista ganha em credibilidade e reduz a taxa de abandono de carrinho. Quando o processo de pagar é simples e intuitivo, a conversão acontece quase sem o consumidor perceber.
2. Cartão de crédito: o clássico que segue imbatível no parcelamento
Mesmo com a ascensão do Pix, o cartão de crédito continua sendo o pilar do consumo parcelado no Brasil, um hábito históricamente enraizado na cultura de compra do país. Segundo levantamento conjunto entre CNDL e SPC Brasil, o crédito representa 52% das compras online e o parcelamento sem juros por 41,2% delas.
O varejista que oferece essa opção mantém relevância e competitividade, especialmente porque o cartão proporciona flexibilidade de pagamento, segurança de dados e agilidade em compras recorrentes. Em 2025, mais do que nunca, ele segue indispensável.
3. Pix por aproximação: rapidez no caixa e experiência sem atrito
O Pix já conquistou os consumidores, mas sua versão por aproximação representa o próximo salto. Desde que o Banco Central habilitou a função, as transações cresceram exponencialmente: de 35 mil em julho para 594 mil em agosto, um aumento de 17 vezes.
A tecnologia segue a mesma base da Jornada Sem Redirecionamento (JSR), também conhecida como Pix Biometria. Isso significa que o pagamento pode ser feito sem abrir o aplicativo ou escanear QR Codes, basta aproximar o celular. Para o varejo, o ganho é direto: mais agilidade no caixa e menos fricção na jornada do cliente, sem abrir mão da segurança que consolidou o Pix como o meio de pagamento mais confiável do país.
4. Pix Automático: a era da recorrência sem fricção
A partir de 13 de outubro, o Pix Automático será obrigatório em todas as instituições financeiras. A funcionalidade promete simplificar o pagamento de serviços e assinaturas recorrentes, substituindo o antigo débito automático por uma solução mais moderna e flexível.
Para as empresas, representa previsibilidade no fluxo de caixa; para o consumidor, praticidade e menos risco de esquecimento de faturas ou erros de preenchimento. É um avanço natural em um mercado cada vez mais orientado pela recorrência.
Olhando para o que vem a seguir
Essas quatro modalidades já formam o novo kit básico do varejo brasileiro. Mas o horizonte é ainda mais promissor. O Pix Parcelado deve ganhar força nos próximos meses, competindo diretamente com o cartão de crédito e ampliando o poder de compra do consumidor. Já o Pix Biometria, que já aparece em maquininhas de empresas como Cielo, Rede e Stone, e é obrigatório para bancos como Itaú, Bradesco, Nubank e Santander, promete elevar a segurança a um novo patamar, reduzindo fraudes e simplificando ainda mais a experiência sem redirecionamento.
Para o lojista, ignorar essas novidades é abrir espaço para a concorrência. Para o consumidor, é sinônimo de mais liberdade e controle na hora de escolher como pagar.
