Varejo recua 3,6% em maio, diante de consumo mais defensivo
O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostrou que o varejo brasileiro recuou 3,6% em termos reais em maio de 2026. A variação, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, já desconta a inflação dos preços no período. O resultado reflete um ambiente de maior cautela por parte das famílias, pressionadas por juros elevados, renda comprometida e inflação ainda concentrada em itens essenciais. Trata-se da maior retração para um mês de maio desde a pandemia. A desaceleração atingiu todas as regiões brasileiras. Em maio, o Centro-Oeste apresentou a maior queda, de 4,9%. No Nordeste, a retração foi de 3,1%. O Norte caiu 2,4%, mas também não conseguiu superar o desempenho do mês anterior. Já o Sul teve queda de 1,9%. Além de registrar a segunda maior queda do país, o Sudeste apresentou o pior desempenho para qualquer mês desde março de 2021 (4,7%).
Consumidor mais defensivo
O Banco Central voltou a sinalizar preocupação com o endividamento das famílias, destacando patamar historicamente elevado e avanço da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida. Em março, o endividamento das famílias no sistema financeiro ficou em 49,8% (49,9% em fevereiro), e o comprometimento de renda alcançou 29,3%, o que ajuda a contextualizar um consumo mais defensivo. Pelo lado das empresas, a inadimplência segue em patamar recorde, com quase 9 milhões de CNPJs em atraso no fim do primeiro trimestre e 9 milhões em abril, segundo dados reportados com base na Serasa Experian.
