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Food service cresce em consumo, mas enfrenta desafios de rentabilidade

  O aumento do consumo em bares e restaurantes voltou a impulsionar o setor de alimentação fora do lar nos últimos meses, mas a melhora no movimento não tem garantido saúde financeira para parte das operações. Dados divulgados pela Abrasel mostram que a situação financeira de bares e restaurantes voltou a piorar no início de 2026, com aumento do número de empresas operando no prejuízo e dificuldade para equilibrar custos e faturamento. O tema ganha ainda mais relevância com a aproximação da Copa do Mundo de 2026 e de períodos tradicionalmente fortes para o setor, quando bares e restaurantes costumam registrar aumento de movimento. 


  Para Athos Vilarins, CEO e fundador da Assessoria Alpha, maior agência de marketing para restaurantes da América Latina, o crescimento da demanda sem estrutura operacional e financeira tem ampliado desequilíbrios internos em parte das empresas do food service. “O restaurante vende mais, mas não consegue transformar isso em previsibilidade de caixa. O empresário aumenta o volume de pedidos, mas continua sem controle de margem, sem integração de operação e sem gestão comercial. O resultado é faturamento alto com sensação constante de aperto financeiro”, afirma.


Gestão Financeira no Foodservice

  Dados divulgados pelo Sebrae em janeiro de 2026 mostram que 61% dos empreendedores brasileiros ainda misturam despesas pessoais com as contas da empresa. O levantamento reforça um problema recorrente nos pequenos negócios, especialmente no setor de alimentação, onde muitos empresários ainda operam sem controle financeiro estruturado e sem acompanhamento de indicadores de rentabilidade. Segundo Gustavo de Oliveira, especialista em desenvolvimento comercial e co-fundador da Assessoria Alpha, muitos restaurantes confundem aumento de vendas com crescimento sustentável. “Existe uma falsa percepção de crescimento quando o restaurante vende mais, mas continua sem lucro. Muitos empresários olham apenas para a entrada de dinheiro no caixa e ignoram indicadores como custo operacional, desperdício, recorrência e margem líquida”, diz. Ele ainda afirma que o avanço do delivery, das campanhas digitais e das vendas online aumentou a complexidade da operação nos últimos anos 


Estabilidade Operacional

  Um levantamento da Abrasel em parceria com a Stone mostrou que as vendas em bares e restaurantes registraram retração de 0,5% em março de 2026 na comparação com fevereiro, sinalizando que o setor ainda convive com oscilações operacionais mesmo diante da retomada gradual do consumo. Parte do setor de food service também começa a abandonar modelos baseados apenas em campanhas promocionais e aumento pontual de movimento para buscar maior previsibilidade financeira e estabilidade operacional. A percepção entre empresários e especialistas é de que depender exclusivamente de sazonalidades, datas comemorativas ou fluxo espontâneo já não garante sustentabilidade no longo prazo, aumentando a busca por integração entre marketing, retenção de clientes, operação e gestão financeira. 


  Para o CEO, os restaurantes que conseguem crescer de forma consistente são aqueles que trabalham integração entre aquisição de clientes, retenção e gestão operacional. “Não é mais uma discussão apenas sobre vender mais. O empresário precisa entender margem, recorrência, retenção e eficiência operacional para construir previsibilidade financeira”, afirma.

09/06/2026

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