61% dos bares e restaurantes já sentem impacto dos remédios para emagrecer
O aumento do uso de medicamentos para emagrecer começa a impactar no comportamento de consumo de bares e restaurantes. Um levantamento da Abrasel mostra que 61% dos empresários do setor já perceberam mudanças associadas ao uso de remédios como o Ozempic e Mounjaro. No entanto, o movimento ainda ocorre de forma gradual. Entre os entrevistados, as alterações são classificadas principalmente como leves ou moderadas, o que aponta para um processo de adaptação progressiva, sem ruptura brusca no padrão de consumo. Os efeitos mais intensos aparecem com maior frequência em estabelecimentos de menor porte, que tendem a ser mais sensíveis às oscilações de demanda.
"A mudança já é percebida, mas ainda ocorre de forma gradual. O consumidor continua frequentando bares e restaurantes, porém com escolhas mais moderadas. Esse movimento tende a ganhar força nos próximos meses, especialmente após o fim da patente da semaglutida, em março deste ano, que já abriu caminho para a produção de versões genéricas e similares mais acessíveis", afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Mudança no Consumo
Os principais impactos observados pela pesquisa estão na redução de consumo de pratos principais, principalmente das sobremesas. Empresários já perceberam a mudança no volume dos pedidos. No caso das sobremesas, 65% notaram alterações e, entre elas, uma em cada cinco relatou forte redução na demanda. Segundo o levantamento, 64% dos empresários observaram crescimento nos pedidos de miniporções, enquanto mais de 70% apontaram maior frequência de escolhas consideradas mais leves. A prática de compartilhar pratos principais também avançou, sendo mencionada por 64% dos entrevistados. O comportamento sugere uma busca mais evidente por restrição calórica nas escolhas individuais. As mudanças também atingem o consumo de bebidas. Mais da metade dos entrevistados (53%) percebeu crescimento nesse tipo de consumo. Também aumenta a substituição de bebidas alcoólicas por alternativas sem álcool ou com menor teor, especialmente em estabelecimentos de maior faturamento.
Impacto nas Finanças
De acordo com a pesquisa, o cenário reflete nas finanças do setor. Quatro em cada dez empresários afirmam que ainda não conseguiram compensar a redução no volume consumido por cliente, o que acelera a necessidade de ajustes nas estratégias comerciais. Os bares e restaurantes buscam alternativas, como combos e menus estruturados. Outra estratégia comum é o estímulo ao aumento da frequência de visitas dos consumidores, citado por 22% dos empresários. Nesse caso, a lógica é equilibrar um tíquete médio menor com maior recorrência do cliente ao longo do tempo. Além dessas iniciativas, começam a surgir adaptações mais direcionadas ao novo perfil de consumo, como a inclusão de pratos com baixa calorias, pensados especialmente para clientes que utilizam os medicamentos para emagrecimento.
“O setor de alimentação fora do lar tem um histórico positivo de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor. Como este ainda é um movimento recente, é natural que os impactos sejam sentidos com maior intensidade neste momento, mas já há espaço para inovação e ajustes. Essas estratégias, além de contribuírem para equilibrar margens, podem inclusive ampliar a capacidade dos estabelecimentos de atrair perfis de clientes mais diversificados", conclui Solmucci.
