Volatilidade de preços e shopper sensível: os desafios do pricing no varejo em 2025
O ano de 2025 foi marcado por fortes oscilações nos preços do varejo alimentar, impulsionadas por inflação elevada, juros altos e câmbio volátil. Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, Gustavo Presa, Especialista em Varejo da InfoPrice, empresa de pesquisa e inteligência de preços, destacou os principais movimentos do setor e os aprendizados que devem orientar o varejo em 2026. “O setor enfrentou desafios com a alta da inflação dos alimentos e a Selic em patamares elevados, o que trouxe grande volatilidade aos preços nas prateleiras. A precificação passou a ser revista com maior frequência, em ciclos mais curtos de atualização.” Nesse cenário, segundo o especialista, o shopper ficou ainda mais sensível ao preço, comparou mais entre canais e categorias, migrou para marcas próprias e embalagens econômicas e reduziu a fidelidade de redes e marcas.
Categorias em destaque
Alguns produtos tiveram comportamento mais acentuado ao longo do ano. O café manteve a trajetória de alta iniciada em 2024, pressionado por fatores climáticos e demanda global. Já o arroz registrou queda relevante, puxada pela superprodução mundial e pela boa safra brasileira. Por fim, os ovos viveram volatilidade no início do ano, com aumentos bruscos devido à gripe aviária, mas se estabilizaram a partir do segundo trimestre. “Atualmente, essas categorias caminham para um cenário de desaceleração. O arroz segue em queda, mas agora de forma mais suave. O café estabilizou, mas ainda em patamar elevado. Já os ovos continuam com leve queda, acompanhando a recomposição dos plantéis”, explica Presa. A InfoPrice aponta que o tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afetou principalmente café e carnes, mas sem gerar alta generalizada nos alimentos.
Aprendizados em pricing
Para o especialista, 2025 reforçou alguns aprendizados essenciais para a gestão de preços no varejo alimentar. O primeiro é a necessidade de processos contínuos de revisão, com ciclos mais curtos e decisões ancoradas em dados, não apenas em repasse de custos. “Segundo, ficou evidente que a competitividade eficiente depende de segmentação por sensibilidade ao preço, priorizando itens-chave da cesta do shopper e protegendo a margem em categorias menos elásticas.” Por fim, o ano consolidou o uso de modelos analíticos como base para calibrar preços de forma mais precisa e equilibrar volume e rentabilidade. “Pricing eficiente é aquele que conecta frequência, sensibilidade e inteligência, ajustando preço no ritmo do mercado, mas sempre ancorado em dados sólidos e entendimento profundo do shopper.”
Panorama atual e expectativas
O varejo opera hoje em um ambiente considerado de “estabilidade relativa”. Segundo o especialista, a inflação de alimentos está perdendo força, mas a taxa de juros alta ainda segura o consumo. Porém, o cenário é visto como uma estabilidade frágil, visto que câmbio volátil, clima e custos logísticos seguem como potenciais gatilhos de pressão. “Isso leva os varejistas a adotar um comportamento mais cauteloso, com ajustes de preço pontuais e estratégicos. A tendência para os próximos meses é de estabilidade com leves oscilações, sem espaço para quedas generalizadas de preços.” Para 2026, Gustavo Presa vê sinais de estabilização, mas alerta: “há espaço para oscilações pontuais, o que reforça a necessidade de ajustes rápidos e monitoramento constante, especialmente nas categorias mais sensíveis ao preço”.
