Startup Inclue Investe em Capacitação para o Varejo
Inclusão de PCDs e Idosos


Texto: Júlia Pestana
Um levantamento feito com
300 pessoas com deficiência aponta que 79% delas avaliam os atendimentos de
lojas e supermercados como péssimos. Outra pesquisa, realizada com 200 lojas
espalhadas pelo país, indica que 99% dos estabelecimentos nunca receberam treinamento
para atender essa população. Os dados são da Inclue, startup que nasceu em
2019, com o objetivo de dar visibilidade, como shoppers, a pessoas com
deficiência e idosos. "As marcas não olham esse público como consumidor e o
varejo não está preparado para atendê-lo. Os atendimentos são por improvisos,
às vezes sem paciência. Muitos funcionários não sabem onde estão os produtos,
não contam sobre as promoções e novidades que têm", relata Sonny Pólito,
cofundador da startup, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News.
Atendimento Personalizado
A plataforma digital
oferece capacitação online para times de vendas, visando o atendimento a PCDs
no ponto de venda físico. A partir da Inclue, as pessoas com deficiência e os
idosos também têm acesso a um mapeamento das lojas que possuem acessibilidade
e, por meio de um cadastro na plataforma, conseguem agendar atendimentos
personalizados. "O gerente sabe o nome da pessoa, a deficiência, o horário que
ela vai chegar e o que deseja comprar. Assim, o funcionário treinado consegue
receber bem o cliente", explica o executivo. Neste ano, a meta da startup é
expandir a equipe e aumentar o número de lojas onde está presente. Mas, para
Sonny, a inclusão apenas será efetiva com a convivência.
Dores de Consumo
"No nosso primeiro MVP
(Produto viável mínimo) na O Boticário, nós oferecemos um ticket de R$ 30,00
para pessoas com deficiência passarem pela experiência de compra e, no final do
teste, elas gastaram três vezes mais e descobriram produtos que não sabiam que
existiam", conta o empreendedor. Hoje, a plataforma está presente no Pão de
Açúcar; nas lojas Renner, sendo duas em São Paulo e duas no Rio de Janeiro; e
no Prezunic, em duas unidades também na capital carioca. "São 45 milhões de
pessoas com deficiência, ou seja, 23% da população brasileira que o varejo
perde. Já nas compras online, apenas 1% dos sites ativos no Brasil estão
acessíveis para pessoas com deficiência", finaliza Sonny.
