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No futuro, as lojas de comércio eletrônico vão enviar pedidos antes de você comprar!

* Por Fábio Lima, diretor de vendas e marketplace da Lenovo

O envio antecipado de produtos, mesmo antes de qualquer pedido, é algo que já vem sendo estudado por diversas empresas, principalmente para conseguir realizar o grande sonho de consumo de todas as vendas digitais, surpreender você com a agilidade na entrega. O assunto é tema dos principais sites/apps de comércio eletrônico do mundo e esta história começou há um bom tempo, mais precisamente 10 anos atrás. Isso mesmo, em 2012, a Amazon entrou com pedido de patente, oficialmente conhecido como "método e sistema de envio antecipado de pacotes".

O sistema iria funcionar mais ou menos assim: a partir do momento que a Amazon detectasse uma quantidade de buscas relevantes do mesmo produto em um determinado bairro, um sistema preditivo estaria apto a identificar com alto grau de precisão, que alguém ali na região iria comprar o produto.

Sem saber exatamente quem compraria esse item, a Amazon iria colocar o produto em um caminhão e despachar para a região mapeada. No meio do caminho, quando o pedido fosse finalmente confirmado, a Nota Fiscal seria impressa e o produto estaria pronto para ser entregue. Agora, imagine qual seria o encanto gerado em um cliente que compra o produto e recebe a encomenda na porta da sua casa em 15 minutos!?

O pedido de registro da patente foi aceito na véspera do Natal de 2013. Para a Amazon, e para qualquer grande e-commerce, conseguir prever os pedidos dos clientes pode aumentar e muito as vendas, além é claro de reduzir os custos de remessa, estoque e cadeia de suprimentos.

Se a Amazon pediu isso há tanto tempo, por que ainda não faz? Possivelmente os algoritmos ainda não estão maduros o suficiente, pois imagine manter a estratégia do Amazon Prime para atender às solicitações de entregas grátis com um valor inferior a R$180,00/ano? O investimento é bastante alto. De fato, a área de logística está entre os setores que mais permitem a redução de custos. Acredita-se que ainda é possível reduzir entre 10% a 40% e grandes e-commerces investem muito nisso.

E a Amazon não está sozinha na busca de melhores opções na logística. Todos os e-commerces estão! A Americanas já revelou que utiliza sua rede de 1800 lojas físicas espalhadas por 900 cidades como mini hubs logísticos. A estratégia omnichannel funciona muito bem e tem sido uma escolha mais prática já que ainda não estamos totalmente prontos para prever o futuro da compra. A operação omnichannel da Americanas conecta o e-commerce com os seus 900 centros operacionais logísticos e com as lojas. Tanto tem se mostrado uma estratégia consistente que a outra marca da empresa, o Submarino anunciou sua entrada no mundo físico há menos de uma semana.

O Submarino vai investir em quiosques com tamanhos entre 6 e 9 m² e usar o conceito de prateleira infinita, conectando os clientes aos produtos disponíveis no site e app do Submarino, diretamente no local. Este conceito é excelente, mas nenhum fabricante e nem varejista jamais conseguiu fechar a conta neste projeto ainda.

Tanto a estratégia da Amazon, como do Grupo Americanas visam lidar com o Mercado Livre, que em junho deste ano expandiu a modalidade de entrega de encomendas no mesmo dia para 100 cidades brasileiras. A ampliação do serviço foi feita utilizando o investimento de R$17 bilhões, anunciado pela empresa no 1° trimestre deste ano. Certamente, ainda sem ROI do tema, atualmente a empresa tem 2,1 mil cidades (correspondendo a 75% das encomendas) que recebem em um dia. Em dois dias, são 4,7 mil localidades (90% da demanda). E, o Mercado Livre aumentou a sua capacidade diária para mais de 2 milhões de pacotes com aumento de cobertura de 1029 quilômetros em operações que envolvem todo o processo logístico (Fulfillment). Uma verdadeira "operação de guerra" diária.

As entregas rápidas correspondem a 20% dos 10 centros de operação Fulfillment do Mercado Livre que possui hoje uma frota de 51 carros elétricos, 3 mil caminhões, 1.100 vans, 3 aviões e 26 carretas movidas a gás e mais de 13 mil veículos atuando na última milha. Uma verdadeira operação de guerra diária que, talvez, possa ser revista se os algoritmos do futuro puderem prever as compras antecipadas.

Entregas por drones já podem ser implementadas em 2023

Mas a previsão de compras antecipadas não é a única coisa que veremos no futuro. Teremos também uma mudança física, entregas vão ser feitas por drones e, minha aposta é que 2023 e 2024 começam os testes de muitos players para esta modalidade.

Em junho deste ano a Amazon lançou o Prime Air na Califórnia, para entregas em 30 minutos. O projeto está em teste e teve autorização parcial da FAA (Federal Aviation Administration). Com muitas vantagens, a entrega por drones vai além do rápido tempo, é mais ecológica e facilita o acesso a determinadas áreas.

E não é somente nos EUA que a entrega por drones vem acontecendo. No Brasil, a Natura iniciou uma nova etapa de testes técnicos, que vai até o fim de 2022, para a realização de entregas dos produtos das marcas por meio de drones na cidade de Salvador, BA. No caso, o drone faz um trecho da rota parcial e, por isso, as pessoas não veem o drone entregando seus pedidos. O drone chega em uma base pré-definida e mais próxima possível e depois vai por entrega pelo entregador. Mas da forma como a tecnologia está avançada, o empecilho é somente a legislação de voos.

2023 virá com novidades nesta área de drones, não há dúvidas! O fato de ser mais ecológico deve impulsionar e muito este tipo de entrega e a pressão por opções mais sustentáveis é inerente. Não me espantaria em ver, de repente, uma série de empresas solicitando este tipo de transporte ao mesmo tempo. E, se o mundo como o Canadá já tem aprovado testes em espaço aéreo, o Brasil tem referências que podem ser utilizadas para esta análise. O Brasil é um país muito aberto a inovações e temos problemas logísticos tão grandes, que vale à pena investir em soluções mais sustentáveis e com melhores resultados.

Tudo isso pode parecer futurologia, mas se você olhar apenas para três anos atrás, você imaginaria a mudança de paradigma no trabalho com a pandemia e o home office?

Quem sabe ainda em 2023, vamos estar assistindo à votação de novas legislações para regular o espaço aéreo e, bem mais cedo do que o esperado, veremos o uso de algoritmos inteligentes para prever compras antes mesmo do consumidor sequer pensar no tema.

Minha aposta é que a Amazon (no mundo) e o Mercado Livre (no Brasil) estarão à frente na mudança de paradigma da logística de entrega de e-commerce!

10/03/2023

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