Do festival à gôndola: como grandes eventos mudam o consumo
*Por João Giacomassi, diretor de produtos para supermercados da TOTVS
Quando um grande evento chega a uma cidade, os impactos sobre o consumo vão muito além dos ingressos vendidos ou da movimentação em hotéis, bares e restaurantes. O Rock in Rio é um bom exemplo. Mesmo quem não vai à Cidade do Rock pode mudar sua rotina durante o festival: recebe amigos em casa, compra alimentos e bebidas para acompanhar os shows, opta por refeições mais práticas ou simplesmente aproveita o movimento da cidade para consumir mais.
Esse efeito já começa a aparecer nos supermercados. Levantamento divulgado durante o Rock in Rio deste ano mostrou crescimento de 25,4% no faturamento de supermercados do Rio de Janeiro entre os dias 4 e 6 de setembro, impulsionado pelo público que permaneceu na cidade durante o festival.
Mais do que um reflexo pontual do evento, o dado mostra uma transformação importante no setor de supermercados: é preciso estar cada vez mais preparado para responder a mudanças de comportamento que acontecem em períodos muito curtos.
Grandes eventos, feriados prolongados, jogos, shows e até mudanças climáticas podem alterar significativamente a demanda por determinadas categorias. E, para o supermercadista, o desafio não é simplesmente vender mais quando esse movimento acontece, mas sim conseguir se antecipar a ele.
Isso começa pelo uso inteligente dos dados. Histórico de vendas, comportamento do consumidor, calendário regional, sazonalidade e informações externas podem ajudar o supermercado a identificar padrões e estimar quais produtos terão maior procura em determinado período. Com isso, é possível ajustar o estoque, o sortimento e a reposição antes que a demanda chegue às lojas.
Essa capacidade de antecipação ganha ainda mais importância porque o consumidor não espera encontrar uma loja despreparada. Se um produto não está disponível, a compra pode migrar rapidamente para outro estabelecimento ou canal. Ao mesmo tempo, abastecer excessivamente uma categoria que não terá a procura esperada pode significar capital parado e aumento de perdas.
Por isso, a tecnologia no supermercado não deve ser vista apenas como ferramenta para automatizar processos. Ela tem um papel cada vez mais estratégico na tomada de decisão. Sistemas integrados permitem transformar diferentes informações da operação em indicadores que ajudam o varejista a entender o que está acontecendo e, principalmente, a agir antes.
O próximo passo é tornar essa capacidade ainda mais preditiva, combinando dados e inteligência artificial para apoiar decisões sobre demanda, estoque, preços e abastecimento. Não se trata de substituir a experiência de quem conhece o negócio, mas de dar a esse profissional mais elementos para tomar decisões rápidas e precisas.
O efeito do Rock in Rio sobre os supermercados do Rio mostra que o consumo não acontece de forma isolada. Ele é influenciado pelo que acontece ao redor das pessoas, pela cidade e pelos acontecimentos que fazem parte da sua rotina.
Para o supermercado, acompanhar esse movimento significa olhar além da gôndola. É entender o contexto, identificar sinais de mudança e transformar informação em ação. Mais do que um movimento pontual, o cenário observado no Rio deixa um aprendizado: grandes eventos podem representar oportunidades relevantes de consumo, desde que o supermercadista esteja preparado para antecipar seus efeitos.
Shows, festivais, eventos esportivos, feriados e celebrações regionais movimentam diferentes cidades ao longo do ano e podem gerar mudanças importantes na demanda. Cabe ao supermercadista transformar esses acontecimentos em inteligência para planejar estoque, sortimento e operação, e estar pronto para atender o consumidor onde quer que esse movimento aconteça.
