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Exclusivo GiroNews

Como transformar a transição tributária em vantagem competitiva no varejo

*Por Afonso Machado, Diretor de Finanças do Compra Agora


A pergunta não é mais se o varejista brasileiro será afetado pela reforma tributária, mas se ele possui a estrutura tecnológica para sobreviver a ela. Estamos diante da maior transformação fiscal brasileira em décadas e, com o início dos testes da CBS e do IBS em 2026, o cenário tornou-se claro: a tecnologia deixou de ser um diferencial de eficiência para ser, oficialmente, um imperativo de sobrevivência.


Em conversas constantes com parceiros do varejo de vizinhança, ouço a dúvida: "estamos diante de uma ameaça ou uma oportunidade?". A resposta é técnica: depende da sua maturidade digital.


Uma das mudanças mais impactantes é a chegada do Split Payment. Ao automatizar a segregação dos tributos no ato da transação, o mecanismo não apenas altera o fluxo de caixa, mas exige uma disciplina rigorosa no planejamento financeiro. Para o varejista que ainda opera com processos manuais ou sistemas legados, o Split Payment é um ponto de atenção operacional. Para quem investe em integração de dados e ERPs modernos, é a automação da conformidade.


Mais do que uma mudança fiscal, estamos falando de uma mudança de cultura na gestão da liquidez. O capital de giro será cada vez mais dependente da precisão dos dados, e não mais do "jogo de cintura" financeiro.


O período de transição até 2033, com a convivência obrigatória entre sistemas, cria uma complexidade que só pode ser gerida por meio de análise de dados. O chamado "Simples Híbrido", que entra em vigor em 2027, ilustra bem isso, onde o enquadramento estratégico deixará de ser uma escolha contábil para se tornar uma decisão de margem. Simulações criteriosas de mix de produtos e perfil de clientes — cruzando dados que a tecnologia integra — serão a única forma de garantir que o regime tributário escolhido não comprometa a competitividade do negócio.


A reforma atua como um acelerador da digitalização. O varejista que enxerga sua operação como uma empresa de tecnologia, capaz de extrair insights do seu próprio fluxo fiscal, estará muito à frente dos concorrentes que não se adequarem ao novo sistema.


Mais do que uma adequação às novas regras, a reforma tributária representa uma oportunidade para o varejo repensar sua gestão, fortalecer sua organização e tomar decisões mais estratégicas. Quem se preparar agora, investindo em dados, planejamento e eficiência operacional, estará mais bem posicionado para preservar margens e conquistar competitividade no futuro. A sustentabilidade dos negócios dependerá da capacidade de transformar desafios em oportunidades e modernizar a forma de operar no dia a dia.


09/09/2026

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