A relevância da tecnologia na precificação das vendas de supermercados on-line
*Por Ricardo Ramos, CEOdaPrecifica
O dinamismo do
e-commerce exige acompanhamento constante da movimentação da concorrência no
que diz respeito a preços, promoções, possibilidade de rupturas no estoque,
além de rapidez e assertividade na tomada de decisão. Mas imagine a dificuldade
que supermercados, grandes, médios ou pequenos, têm para fazer isso. Como ter o
controle absoluto dos preços de milhares de mercadorias para ser
competitivo?
É fato que a
tecnologia é indispensável nessa trabalhosa tarefa, por isso vou apresentar
neste artigo algumas dores que o setor supermercadista pode resolver mais facilmente
com soluções de monitoramento e precificação. Essas soluções são capazes de
monitorar em tempo real centenas de milhares de preços de diversos
concorrentes, simultaneamente. Mais do que isso, elas identificam o momento
ideal para mudança de preços e sugerem os valores mais adequados considerando
os custos, a estratégia de negócio e os objetivos financeiros do
estabelecimento, entre outras variáveis.
Uma dificuldade bastante comum dos supermercados é a
precificação de um mesmo produto que apresenta embalagens diferentes. Como
exemplo, o arroz, que pode ser vendido em embalagem de 1 kg ou de 5 kg. Há
outros produtos com essa mesma característica no ramo supermercadista,
configurando-se em um cenário bastante complexo, que é fazer com que os preços
dessas diferentes embalagens para um mesmo produto permaneçam coerentes.
Ao olhar as
embalagens de forma isolada, corre-se o risco de baixar apenas o preço do
pacote de 1 kg. Torna-se, dessa forma, a embalagem de 5 kg desinteressante para
o consumidor. Afinal, passa a valer mais a pena comprar cinco pacotes de 1 kg.
Essa falha também afeta a imagem do supermercado perante o consumidor. Fica a
impressão de que o gestor do estabelecimento está usando de esperteza para
ganhar mais, há a construção de uma imagem negativa. Complexidade esta que a
tecnologia pode ajudar com escala, na inteligência e na coerência dos preços.
A elasticidade dos
preços é outro ponto que merece atenção porque se trata de algo bastante
dinâmico, muda de estabelecimento para estabelecimento e, além de tudo, sofre
efeitos da sazonalidade e de outras variáveis como o prazo de validade. Itens
sensíveis como óleo de cozinha, feijão, arroz, que integram a cesta básica, são
de compra recorrente, ou seja, o cliente conhece os preços e acaba percebendo
quando há mudança. Essa alteração afeta diretamente a quantidade vendida e a
intenção de compra do consumidor.
No caso de dois
mercados concorrentes, a tecnologia de precificação é capaz de medir de forma
dinâmica a elasticidade de cada produto, considerando as especificidades dos
concorrentes. Não se trata apenas de trazer a elasticidade do supermercado A
para o supermercado B e vice-versa, pois eles não são iguais, não têm os mesmos
custos. A questão aí é encontrar o preço ideal dentro da característica de cada
um dos estabelecimentos.
A tecnologia também
ajuda a medir efeitos da sazonalidade na variação dos preços. Naturalmente, o
cliente está disposto a pagar um pouco mais na época de Natal, quando todo
mundo está formando as mesas bonitas. Certos produtos também são mais
demandados nessas datas sazonais. Então, a tecnologia ajuda a medir esse efeito
da elasticidade dentro da própria loja e fora dela.
Olhando para a
concorrência, é possível também relacionar o efeito da promoção do vizinho com
a queda das vendas dentro de casa. Isso é o conceito de elasticidade cruzada em
que se observa como que um movimento fora da minha empresa afeta a minha
demanda. A tecnologia dá escala, aporta inteligência, consegue apresentar essas
correlações que nem sempre são tão óbvias.
Além de tudo, os
supermercados ainda trabalham com itens da sigla FLV (Frutas, Legumes e
Verduras) e outras mercadorias com prazo de validade. São produtos com um tempo
certo para serem vendidos, caso contrário estragam. Aqui a complexidade é
conseguir vender o estoque inteiro, ou seja, não perder mercadoria por causa de
perecibilidade. E comercializá-lo sem perder dinheiro, porque muitas vezes o
gestor acaba deixando para fazer promoção intensa de um determinado produto
porque ele ficou muito perto da validade. Há ainda o risco de vender com baixas
margens e haver ruptura no estoque. Como equilibrar isso? Como vender com a
margem adequada no tempo correto? É necessário muito dinamismo e muita atenção
para conseguir determinar o preço adequado para esses produtos. A tecnologia
também pode solucionar este item.
O último ponto de
dor que vou abordar hoje é a frequência. O supermercado é um negócio que tem
compra de alta frequência, recorrência. E aqui o importante é construir
coerência entre os preços que são trabalhados nos diferentes canais de uma
mesma loja. Então, pense numa loja offline no aplicativo. De repente, o cliente
abre o aplicativo, vê uma promoção e fica interessado. Coincidentemente, ele
está passando em frente à loja, lembra que viu o preço no aplicativo e entra no
ponto de venda com a intenção de aproveitar aquela promoção. Se o preço da loja
estiver diferente, às vezes mais alto do que o preço do aplicativo, o
consumidor pode ter uma percepção ruim do supermercado. Portanto, a relação
entre estes preços, do canal online e da loja física, precisa ter sincronismo.
Esse sincronismo não
é tão simples de se fazer manualmente. Dependendo de como o estoque é gerido e
compartilhado entre os canais de venda, os preços precisam trabalhar mais ou
menos alinhados. Fazer isso de forma manual ou pouco dinâmica é bastante
inviável. O consumidor é cada vez mais multicanal e está sempre atrás de
experiência. E o preço é uma ferramenta que ajuda e faz diferença no processo.
Por isso, o uso de soluções de precificação é essencial para entregar os
valores de venda corretos aos clientes.
