Consumidor empoderado é a nova realidade do varejo
Lojas Físicas Têm Novo Papel
"O consumidor tem tudo na
mão. O celular é um 'personal computer' onde ele faz pesquisa de preço, entra
em site de opinião, sabe se o produto é bom, descobre o canal que vende mais
barato ou tem frete grátis e ainda ganha cupom de desconto." É assim que Robson
Munhoz, diretor de Sucesso do Cliente na Neogrid, especializada em soluções para
a gestão da cadeia de suprimentos, define o "consumidor empoderado". Para o
executivo, trata-se de uma das tendências que já são realidade no mercado
varejista. O conceito está atrelado ao poder que a tecnologia trouxe ao
consumidor. "Ele compra onde quer, na hora que quer e de quem quer. Antes, não
havia tantas opções. Agora, o consumidor tem um mundo à sua frente", explica
Robson, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News.
Desafios em Logística
As plataformas digitais e
o consumidor empoderado representam, para a indústria e o varejo, o desafio de
transformar toda a sua operação, para atender em tempo integral. "A internet
não fecha nunca. Tudo fica aberto 24 horas." Segundo Robson, outra tendência
que já está acontecendo é a de "colocar o estoque certo no lugar certo", visto
que o consumidor quer comprar, mas não quer esperar para receber o pedido. Com
isso, as lojas de supermercados estão sendo convertidas em minicentros de
distribuição - ou dark stores -, que devem ter estoque suficiente para atender
a compras digitais. "O varejo percebeu que tinha um grande ativo nas mãos, que
eram as lojas espalhadas pelo país. São 90 mil lojas que podem ser estoques do
autosserviço alimentar. Então passa de 100 ou 200 grandes pontos de estoque, para
90 mil", analisa o diretor.
Mãos Dadas com a Indústria
"Joint Business Plan"
(plano de negócio) tem sido a estratégia do varejo para criar uma relação de
colaboração com a indústria, "trazendo-a para a mesa", como exemplifica Robson.
Para o executivo, através de diálogo, os setores podem descobrir uma série de
elementos que beneficiam ambos. Hoje, o varejo se vê "espremido", com a
indústria precisando aumentar preço de um lado e, do outro, o consumidor
tentando economizar. "Tem tido uma colaboração no sentido de o varejo passar
para a indústria a informação do que vende e qual é o estoque que está na loja.
E a indústria, com essas informações, começa a se preparar melhor, para não
abastecer um produto que não vai girar. Ela passa a colocar o mix correto, para
não sobrar mercadoria na ponta e afetar a necessidade de capital de giro." De
acordo com o diretor, esse método permite, ainda, reduzir o custo logístico.
Esforços Concentrados em
Tecnologia
A pandemia trouxe outros
movimentos que têm ganhado notoriedade no mercado, como o investimento em
tecnologia. A busca por omnicanalidade se tornou um dos focos, visando
facilitar as compras. "No passado, o varejo trabalhava para levar o consumidor
até a loja. Agora, estão sendo implantados softwares para levar a loja até o
consumidor", destaca. "Também houve a proliferação do mercado de ultra
proximidade, que são lojas bem menores colocadas em condomínios ou lojas em
toda a cidade com tamanhos reduzidos", complementa Robson. Na visão do diretor,
o objetivo final é sempre que o consumidor compre com menos atrito. A crescente
instalação de self-checkouts e a implementação de formas de pagamento sem
contato são outros exemplos disso. "Dez anos se transformaram em dois. E as
mudanças vieram para ficar", conclui.
Texto: Bruna Soares
