Dia Mundial do Café: após alta no preço, mercado projeta alívio no 2° semestre
Na data que em se celebra do Dia Mundial do Café, 14 de abril, muito se fala sobre um dos produtos mais consumidos pelos brasileiros. Mas, é importante relembrar o movimento atual do setor. Dados mais recentes do setor mostram uma queda de 2,31% no consumo entre novembro de 2024 e outubro de 2025, segundo pesquisa recente da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Entretanto, o brasileiro segue com o hábito de tomar café, que está presente em 98% dos lares do país. No ano passado, foram consumidas 21,409 milhões de sacas.
Preço impacta diretamente no consumo
Em entrevista recente ao Jornal Giro News, Celírio Inácio, diretor executivo da ABIC, afirma que a retração reflete um cenário impactado pela alta nos preços, gerada pelo aumento da matéria-prima e por problemas climáticos. Isso fez o consumidor passar a escolher momentos para tomar café, reduzir o desperdício da bebida e, consequentemente, comprar menos. “Durante muitos anos, pelo menos nas últimas duas décadas, o consumidor se acostumou com um determinado preço do café torrado e moído. Diante de uma grande evolução de preços, isso saiu, a princípio, fora da questão matemática de quem está comprando o café. Primeiro, teve o susto do consumidor e, depois, uma certa retração, onde se começava a escolher um bom momento para se beber café”, comenta o dirigente. O preço do café subiu 116% nos últimos 5 anos.
Safra recorde deve aliviar preço do café no 2º semestre
O consumidor brasileiro pode encontrar o café mais barato nas prateleiras dos supermercados a partir do segundo semestre deste ano, segundo avaliação da SPE (Secretaria de Política Econômica) do MF (Ministério da Fazenda). A secretaria projeta que a safra recorde no Brasil, somada ao aumento da produção em outros grandes países produtores, deve reduzir os preços no atacado e favorecer a desaceleração da inflação do produto ao longo de 2026. No mercado doméstico, a expectativa é de impacto mais visível na segunda metade do ano, quando a colheita se concentra. Mas o repasse ao consumidor não deve ser imediato.
Tendências
Apesar da redução no consumo e a variação de preço, o mercado de cafés no Brasil tem se desenvolvido apoiado principalmente em cafés especiais, novos sabores e alta qualidade. “Isso faz com que as pessoas queiram experimentar novos estilos de café. No último ano, mesmo com uma pequena redução do consumo, o que subiu foram exatamente aqueles cafés que têm um pouco mais de cuidado com seus grãos e valor agregado até maior”, complementa o diretor executivo da ABIC.
Com padrões de nuances sensoriais, rastreabilidade e sustentabilidade, os produtos certificados no estilo “Especial” pela associação cresceram mais de 300%, entretanto, eles ainda correspondem a um nicho de mercado de pequeno impacto, representando 1% do volume total no varejo. Confira aqui a entrevista completa com o executivo.
Números relevantes
O Brasil segue na posição de segundo maior consumidor de café do mundo. A diferença para o primeiro lugar, ocupado pelos Estados Unidos, é de, aproximadamente, 5 milhões de sacas. O faturamento da indústria de café torrado, em 2025, alcançou R$ 46,24 bilhões, uma variação positiva de + 25,6%, quando comparado a 2024. A alteração ocorreu devido ao aumento do preço do café na gôndola.
