Mercado cervejeiro recorre a opções populares para driblar inflação
Players do setor cervejeiro têm focado seus investimentos de marketing em marcas populares, dando menos destaque a rótulos puro malte ou considerados premium. Para Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), esse movimento é uma alternativa para o cenário atual de aumento da inflação. “Em momentos de desafios econômicos, faz sentido reforçar o protagonismo de rótulos com apelo de massa. Mas isso não significa abandono da premiunização, são ciclos complementares. Então, é comum que, em alta da inflação, o mercado cervejeiro, como outros setores, busque oferecer opções mais populares, mas o investimento continua também nas demais marcas”, analisa o dirigente, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News. Segundo Márcio, de um lado, há a diversificação de portfólio com foco em valor agregado; de outro, uma busca por eficiência diante dos custos crescentes e da pressão tributária. “A digitalização, a sustentabilidade e a mudança no perfil de consumo completam esse cenário de transformação.”
Rótulos premium crescem menos
Com isso, as marcas de maior valor agregado enfrentam um momento de ajuste, mas não perdem relevância. Elas continuam sendo importantes para ocasiões especiais e para um público que valoriza diferenciação. “O que muda é a velocidade de crescimento, que hoje está mais concentrada nas cervejas de entrada e nas sem álcool.” A categoria também observa uma regionalização das preferências de consumo. Enquanto no Sul e Sudeste há uma maior penetração das cervejas puro malte e artesanais, as pilsens tradicionais seguem dominantes seguem dominantes no Norte e Nordeste, com crescente interesse pelas versões sem álcool. “A temperatura, o poder de compra e os hábitos culturais influenciam diretamente esse comportamento”, complementa o presidente.
Cervejas zero álcool se destacam
Nos últimos anos, as cervejas sem álcool, puro malte e artesanais têm se destacado. Mas, na visão da Sindicerv, o grande movimento atual é o dos rótulos 0,0%, que cresceram em ritmo acelerado. “O brasileiro está mais atento à qualidade, ao teor alcoólico e ao contexto em que consome. Cresce o consumo responsável e consciente, com mais espaço para a cerveja sem álcool e para ocasiões que antes não eram associadas à categoria.” Se antes a bebida era relacionada apenas ao fim de semana e à celebração, agora há espaço para o consumo moderado durante a semana, harmonizações gastronômicas e até ambientes corporativos. Além de explorar novas ocasiões, Márcio Maciel destaca outras tendências que devem ganhar força no mercado: crescimento da cerveja 0,0%, ampliação de portfólios mais inclusivos, uso de tecnologia para rastreabilidade e sustentabilidade, além da regionalização como ativo de valor, com ingredientes locais nas formulações.
Ranking de marcas mais escolhidas
O estudo Brand Footprint 2025, da Worldpanel by Numerator, aponta que marcas de cerveja com posicionamento mais “economy e mainstream” são as que mais conquistam novos consumidores. Entre os destaques, estão Skol, Antarctica, Crystal, Lokal e Kaiser. Considerando todas as versões, entre as cinco marcas de cerveja mais escolhidas no país, apenas uma (Heineken) tem posicionamento premium - as demais seguem o conceito mainstream. A Brahma lidera, com 113,9 milhões de Consumer Reach Points (CRP) – métrica que combina penetração e frequência de compra. Em seguida, aparecem Antarctica (93,8 milhões), Skol (76,0 milhões), Heineken (52,4 milhões) e Itaipava (33,4 milhões). Já no top 15, surgem outras marcas premium. Confira a lista completa:
1 - Brahma (113,9 milhões de CRP)
2 - Antarctica (93,8 milhões)
3 - Skol (76,0 milhões)
4 - Heineken (52,4 milhões)
5 - Itaipava (33,4 milhões)
6 - Budweiser (28,9 milhões)
7 - Bohemia (14,6 milhões)
8 - Petra (11,5 milhões)
9 - Original (8,5 milhões)
10 - Crystal (8,5 milhões)
11 - Devassa (5,8 milhões)
12 - Amstel (4,8 milhões)
13 - Baden Baden (3,9 milhões)
14 - Eisenbahn (3,3 milhões)
15 - Lokal (2,7 milhões)
