Sazonalidade se transforma em estratégia contínua para o setor de chocolates
A presença da Páscoa na jornada do consumidor ultrapassa, cada vez mais, as tradicionais parreiras dos pontos de venda. A proposta é que a conexão com o chocolate comece antes mesmo da compra e que o sentimento despertado pela sazonalidade perpetue para além do domingo de Páscoa, durante todo o ano. “A gente usa a Páscoa para levantar o assunto, porque é a maior sazonalidade da categoria. Só que a ideia é ir trabalhando ao longo do ano todo. Você não precisa esperar uma data especial, não precisa esperar a Páscoa ou o Natal, para estar presente e poder se conectar com quem ama. Essa é uma mensagem muito ampla, que dá para trazer para produto, campanha, influenciador…”, afirma Ana Assis, diretora de Marketing de Lacta, Milka e Sazonais da Mondelēz Brasil, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News.
Ativação em parque
A partir desse propósito, as marcas têm investido em experiências fora das lojas. A Lacta instalou uma estrutura de 20 metros de comprimento no Parque Villa-Lobos, na capital paulista, com túnel e ambientes instagramáveis. “Vai ser a maior parreira do mundo. Então ela já começa para as pessoas poderem ter experiências reais. Todo mundo vai poder viver isso, tirar fotos, se conectar e criar memórias”, comenta Ana. Na visão da diretora, o marketing sazonal impulsiona as vendas porque trabalha com predisposição emocional e cultural já instalada, mas também influencia a fidelização. “Se a marca entrega o que promete naquele momento sensível, ela se torna parte da memória das pessoas. E memória é um ativo muito mais duradouro do que qualquer campanha.”
Diversificação de portfólio
Em meio a um cenário de alta no preço do cacau e menor poder de compra, a saída tem sido disponibilizar diferentes opções de chocolates e faixas de preço para variados perfis de consumo. Essa é chamada estratégia de “portfólio inteligente” da Mondelez. “Vamos desde o bombom até uma barra mais cara. Usando o exemplo da crise do cacau, a gente viu dois movimentos acontecendo. O primeiro é o consumidor não abrir mão do chocolate, mas não ter dinheiro para gastar muito com ele, e optar pelo desembolso menor. E o segundo é a galera fazendo conta e levando a embalagem maior, porque por quilo ela vale mais a pena”, analisa a diretora. “Agora o cacau está começando a cair e esperamos que de fato isso aconteça, para conseguirmos inovar em outras frentes que hoje em dia não conseguimos”, finaliza Ana Assis.
