Abrafarma reforça regulação e o papel essencial das farmácias tradicionais frente ao canal alimentar
A entrada do canal alimentar no varejo farmacêutico, do modo como foi determinado pela lei, transformou atacados e varejistas que estão abrindo farmácias em apenas “outros concorrentes” para as redes tradicionais. Na visão de Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), o avanço das redes de supermercados e atacarejos com farmácias próprias representa uma nova frente de competição, e só deve ocorrer dentro dos mesmos parâmetros legais e sanitários aplicados ao canal farmacêutico tradicional. “A regra que foi estabelecida é muito boa. É uma regra comparável. O canal alimentar queria vender medicamento solto, na gôndola, sem licença. Isso não é possível”, afirma Sérgio, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News.
Papel das farmácias
Neste cenário, é importante preservar o papel das farmácias como ponto de cuidado e orientação ao consumidor. Para Mena Barreto, o canal farmacêutico tradicional continuará sendo essencial por oferecer atendimento assistido e orientação qualificada. “O cliente tem que ter alguém que explique sobre o que é o produto. Esse atendimento assistido, esse cuidado com determinados produtos e com o cliente para passar a informação, só tem na farmácia.” O setor continua crescendo duplo dígito, puxado pelas grandes redes, e tem expectativas promissoras, impulsionadas por movimentos como o avanço dos medicamentos da classe GLP-1. “Essa categoria vai crescer pelo menos durante 10 a 15 anos. E começam os impactos em outras categorias como nutrição, com soluções para pessoas que começam a perder cabelo ou tem problema nas unhas, por exemplo.” Outra tendência é o segmento de K-Beauty, com produtos de beleza coreanos. “As redes da Abrafarma vão trazer para o Brasil, teremos uma gama de produtos nessa linha”, antecipa.
Crescimento da IA
A inteligência artificial também faz parte das transformações que devem impactar o varejo farmacêutico nos próximos anos. “Hoje, a gente usa IA para seleção, precificação… E eu acho que esse processo vai se aprofundar cada vez mais. Se automatizarmos o que pode ser um processo repetitivo, liberamos capital humano para fazer outras demandas.” Neste cenário, surge uma nova necessidade: a qualificação das pessoas por meio da tecnologia, “alfabetizando” os colaboradores no universo da inteligência artificial. “O futuro será, cada vez mais, de soluções de saúde, talvez com um aumento da longevidade. E a farmácia vai continuar a ser esse elo com as pessoas, uma conexão de tecnologia com gente, com cuidado e acolhimento, porque isso é o nosso negócio”, finaliza o CEO.
