Abrafarma alerta para riscos da venda de remédios em marketplaces
O avanço dos marketplaces na venda de medicamentos tem despertado preocupações entre os representantes do varejo farmacêutico. Segundo Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), trata-se de um cenário diferente do que é visto no canal alimentar, que obteve liberação para operar farmácias dentro de suas lojas, em ambientes separados. “Se eles (varejistas alimentares) forem bem-sucedidos, tem um público que vai ao supermercado e quer completar a cesta de compras com a farmácia. E se eles forem mais competentes que a gente, ótimo. Agora, não pode ser uma regra sem lei, que é o caso dos marketplaces hoje”, explica, com exclusividade ao Jornal Giro News. De acordo com o CEO, a recente interpretação de que aplicativos como Shopee e Mercado Livre estariam autorizados a vender remédios é incorreta. Embora a legislação permita que farmácias contratem plataformas para fins de logística e entrega, isso não autoriza marketplaces a comercializarem medicamentos diretamente. “Não tem essa liberação, não existe”, reforça.
Desafios no e-commerce
A Abrafarma, inclusive, tem monitorado o ambiente digital. “A gente colocou um robô dentro dos marketplaces. 61% de algumas categorias são produtos inaptos para uso. Não estão registrados na Anvisa. Há produtos injetáveis dentro dos marketplaces.” Para Barreto, é essencial que o país avance na regulamentação do comércio eletrônico de medicamentos. O avanço das plataformas digitais também tem impactado as farmácias independentes, provocando fechamentos de lojas. “A gente não é contra. Tanto que vendemos R$ 27 bilhões no online e crescemos 27 vezes em 5 anos. Mas sabemos a dor que é e que, quando não tem responsabilidade, o que pode vir a acontecer”, conclui o CEO. Para o presidente, a falta de regulação e fiscalização pode colocar em risco a sustentabilidade das pequenas redes e o acesso da população mais vulnerável ao setor.
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