Erlon Ortega inicia novo mandato na APAS com foco em emprego
A escassez de mão de obra aparece entre os principais desafios para o setor supermercadista. Atualmente, há 35 mil vagas abertas em São Paulo. Para Erlon Ortega, reconduzido ao cargo de presidente da APAS (Associação Paulista de Supermercados) para o biênio 2026-2028, a questão também impulsiona a busca por novas tecnologias e processos que permitam aumentar a produtividade das operações. “Hoje, o emprego é o desafio-mãe. E, por trás dele, vêm a tecnologia e os processos alternativos. A falta de mão de obra faz com que a gente precise buscar tecnologia para melhorar os processos e conseguir fazer mais com menos pessoas”, afirma. Diante desse cenário, o presidente reforça a importância da atuação conjunta entre supermercado, indústria, mão de obra e o papel da entidade nesse processo. “A gente pode fazer junto. A APAS pode ajudar no crescimento, com uma melhor gestão, maior produtividade. Os problemas do pequeno e do grande são os mesmos, só muda a proporção. Juntos, nós podemos melhorar a gestão dos supermercados de São Paulo.”
Capacitação e tecnologia
Para mitigar esses desafios, a entidade investe na capacitação dos profissionais, com cursos voltados a diferentes áreas da operação, além das formações da Escola APAS. A agenda inclui ainda treinamentos relacionados à reforma tributária, governança e sucessão. “Hoje, já estamos com quatro cursos práticos. Temos cursos de FLV, padaria, frios, açougue, recebimento de mercadorias e até conhecimento básico de vinhos. A Escola APAS também tem cursos teóricos e práticos.” Paralelamente, a entidade pretende ampliar o uso de tecnologias nos supermercados, com recursos como etiquetas eletrônicas e inteligência artificial, buscando ganhos de produtividade. “Nós precisamos avançar em tecnologia. A etiqueta eletrônica é uma realidade que nós temos que colocar cada vez mais nos supermercados. A inteligência artificial também. Se olharmos para a China, eles estão muito à frente nisso e estão ganhando escala e produtividade. E produtividade significa produto mais barato para o consumidor”, avalia Ortega.
Expansão em representatividade
Em São Paulo, o setor supermercadista reúne 27 mil estabelecimentos e responde por 30,5% do faturamento nacional da atividade. Em 2025, foram movimentados R$ 350 bilhões, o equivalente a 8,7% do PIB paulista. O setor emprega cerca de 700 mil pessoas e gerou mais de 25 mil novos postos de trabalho formais no ano passado. Diante desse cenário, a APAS também busca ampliar sua atuação institucional e representatividade junto ao poder público. “A gente precisa ter uma representatividade cada vez maior junto aos governos. Nós queremos ser ouvidos em qualquer projeto que envolva o nosso setor, seja na Assembleia Legislativa, nas Câmaras Municipais ou no Congresso Nacional. Queremos ter esse diálogo para poder dizer o que é possível, o que não é possível e o que é viável para o setor”, conclui o presidente. Atualmente com 7.725 lojas associadas no estado, a APAS estabeleceu como meta chegar a 11 mil estabelecimentos.
