Demandas do Setor Guiam Novas Soluções de Fintechs
Lacunas no Pequeno Varejo


Texto: Bruna Soares
Apesar de ter crescido na
pandemia, com a maior adesão às lojas de bairro, o pequeno varejo teve que se
dedicar à implementação de novas soluções para otimizar desde o backoffice, até
os serviços para os clientes. "A gente nota que o varejo tem voltado, mas ainda
tem uns débitos oriundos desses últimos anos que o setor vai carregar por um
tempo, de alternativas que ele teve que recorrer durante a pandemia, como
empréstimos", analisa, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, Luís
Eduardo Cascão, cofundador da fintech TruePay. Outro "resquício" deixado pelo
período foi o alerta de que a dependência só da operação física não é
suficiente. "Ter presença também no digital é crucial."
Oportunidades no Mercado B2B
Segundo o empresário, os
pequenos e médios lojistas têm poucos artifícios de suporte no Brasil. Neste
cenário, surgem oportunidades para as fintechs - startups que fornecem serviços
financeiros usando tecnologia. A conjuntura atual beneficia, principalmente, as
empresas que direcionam seus serviços a outras empresas. "Ainda há espaço para
fintechs B2C (business-to-consumer), porque o mercado tem inúmeras dores. Mas a
grande oportunidade está em fintechs B2B (business-to-business), que até agora
não foram priorizadas. Hoje, as opções que os lojistas têm são caras. Conseguir
antecipação de recebíveis ou uma linha de capital de giro no banco, por
exemplo, tem juros e taxas altas." Para Luís, soluções que deem condições para
o pequeno lojista manter o seu negócio com mais estrutura podem revolucionar o
mercado nos próximos anos.
Novo Meio de Pagamento ao
Fornecedor
Visando preencher lacunas
como o acesso a crédito, a TruePay criou um meio de pagamento B2B que permite a
compra de fornecedores usando os recebíveis de cartão do varejista. "O lojista
compra do fornecedor a prazo, usando o dinheiro das vendas futuras que vai
fazer, e não tem custo por isso", detalha. Com atuação em todos os estados, a
fintech recebeu investimentos que somam R$ 225 milhões e serão direcionados à
ampliação da equipe e ao desenvolvimento de seu produto. De acordo com Luís, a
meta é ambiciosa: transformar a solução no meio de pagamento predominante no
mercado - atualmente, o boleto a prazo prevalece nas transações B2B. "Dobramos
o volume transacionado a cada mês em 2021 e queremos crescer mais de dez vezes
esse ano", finaliza.
