O impacto da inteligência artificial na evolução do varejo
*Por Mariana Cerone, gerente executiva de estratégia ao consumidor da
Pluxee
Desde o início do
ano, só se fala sobre o papel transformador da inteligência artificial (IA) em
diversos setores - e no varejo não é exceção. Muitas empresas estão explorando
as diferentes possibilidades que a IA oferece, que podem ir desde a inovação de
produtos até a melhoria no atendimento ao cliente.
A questão é como
as varejistas devem avaliar onde investir e o que experimentar com a IA, como
também explorar as áreas operacionais do setor que enfrentarão as maiores
transformações com essa tecnologia. Para facilitar, separei três dicas para
ajudar nessa missão:
1- Direcionando investimentos estratégicos
No cenário
competitivo atual, empresas do varejo têm se empenhado em definir as áreas que
se beneficiariam mais com a implementação da IA. Do desenvolvimento de produtos
à otimização da cadeia de suprimentos, as escolhas não são fáceis. Empresas
visionárias estão se concentrando em áreas onde a IA pode proporcionar ganhos
de eficiência, como previsão de demanda, personalização de experiência e
análise de dados em tempo real. Essas decisões são guiadas por um entendimento
claro dos desafios enfrentados pelo setor e pelas demandas sempre em evolução
dos consumidores.
2- Mudanças nas funções e cargos do varejo
Com a ascensão da
IA, funções e cargos tradicionais no varejo estão sendo redesenhados. O
atendimento ao cliente, por exemplo, está sendo redefinido com chatbots
e assistentes virtuais que oferecem respostas rápidas e soluções eficientes.
Além disso, a
análise de dados está moldando a forma como os varejistas tomam decisões
estratégicas, tornando analistas de dados e cientistas de dados figuras
cruciais no ambiente varejista moderno. Vendedores também estão se tornando
consultores de produtos, aproveitando análises de IA para oferecer
recomendações personalizadas. Dessa forma, minha visão da utilização da IA no
varejo em relações a cargos e funções vem mais no sentido de ressignificar algo
que já deveria ter acontecido.
Fui gestora de uma
loja digital quando ainda não havia IA generativa e, mesmo assim, já
alterávamos o modelo do vendedor para o consultor de vendas. Acompanhei uma
série de atendimentos por lá e o consumidor que estava ali precisava de
especialistas de produtos que o orientasse a escolher por uma determinada TV em
relação à outra, ou o drone ideal, ou que explicasse a diferença entre tantas
geladeiras e ferros de passar. Por isso, me empolgo com a possibilidade do uso
de IA para tornar essa venda mais especializada e assertiva.
Porém, não devemos
romantizar algumas funções operacionais, pois talvez possam deixar de existir.
Mesmo quando cito o exemplo da evolução do vendedor para o consultor de vendas,
no final das contas, a capacidade de adaptação a tudo isso é o que de fato prevalecerá.
3- Preparando-se para o futuro
Enquanto a IA
oferece imensos benefícios, também traz desafios significativos. A adaptação à
nova dinâmica de trabalho, a aquisição de novas habilidades e a garantia da
ética no uso de dados são apenas algumas das considerações importantes. As
empresas do varejo devem investir não apenas em tecnologia, mas também em
capacitação de equipe e estratégias de mudança organizacional para garantir uma
transição suave e bem-sucedida para essa nova era. Vamos jogar polêmica aqui?
Infelizmente, grande parte do varejo não prioriza o investimento adequado para
garantir essa capacitação tecnológica tão necessária para a questão da
adaptabilidade.
Portanto, vai se
dar bem quem souber fazer escolhas inteligentes a respeito de onde investir
seus recursos. E creio que ainda não tem IA no mundo capaz de dar essa
resposta, por se tratar de algo inovador.
A redefinição de
funções e cargos tradicionais é inevitável, mas também oferece oportunidades
para aumentar a eficiência e a personalização. E falando em personalização, por
um momento, pense como consumidor: quais são as 3 marcas que te entregam de
fato uma experiência customizada. Difícil, não? Pois é.
Isso só reforça
que, ao encarar a IA com uma abordagem estratégica e colaborativa, o varejo
pode preparar o terreno para um futuro repleto de possibilidades. Mas,
avaliando o varejo brasileiro, tenho dúvidas se todos estão preparados para
isso.
