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Imagem destaque: A loja me ensinou o que nenhuma apresentação ensinava
Créditos: Divulgação

A loja me ensinou o que nenhuma apresentação ensinava

 *Por Caique Becker, CEO da 75LAB


  Tem uma coisa que a gente só aprende quando pisa na loja: o ponto de venda não tem paciência para vaidade.


  A peça pode ter ficado linda na apresentação. O conceito pode ter sido aprovado com entusiasmo. A campanha pode ter passado por várias rodadas de reunião, ajustes e alinhamentos internos. Mas, quando chega à loja, tudo fica muito simples: ou funciona, ou não funciona.


  Se não couber no espaço, não funciona. Se atrapalhar a operação, não funciona. Se o shopper não entender rápido, não funciona. Se chegar tarde demais, não funciona.


  E talvez essa tenha sido uma das maiores lições que aprendi trabalhando com trade marketing: a loja revela a verdade de uma ideia.


  Durante muito tempo, o mercado tratou a execução como a última etapa do processo. Primeiro vinha a estratégia, depois a criação, depois a aprovação e, só no final, alguém começava a pensar em como aquilo seria produzido, instalado, distribuído e sustentado no mundo real.


  Na teoria, parecia uma sequência lógica. Na prática, era aí que muita coisa se perdia.


  Já vi boas ideias perderem força porque não consideravam a rotina da loja. Já vi materiais bem pensados no papel se tornarem complexos demais para a operação. Já vi campanhas com intenção comercial clara chegarem ao canal com ruído, atraso ou adaptação improvisada. E, quando isso acontece, não importa de quem foi a culpa. Para o consumidor, a marca simplesmente falhou.


  O shopper não vê o organograma. Ele não sabe se o problema veio da agência, do fornecedor, do trade, do comercial ou da logística. Ele vê uma exposição mal resolvida, uma comunicação que não ajuda ou uma oportunidade perdida.


  Essa é a parte mais dura e mais honesta do ponto de venda: ele não protege a intenção. Ele expõe o resultado.


  Por isso, acredito cada vez menos na separação entre pensar e executar. No trade marketing, execução não é uma consequência da estratégia. Execução é parte da estratégia.


  Uma ideia para o ponto de venda precisa nascer já considerando canal, material, custo, prazo, montagem, durabilidade, logística, equipe de campo, perfil do varejista e comportamento do shopper. Não porque isso torne a ideia menos criativa, mas porque torna a ideia possível.


  E existe muita criatividade em fazer uma solução funcionar.


  Criatividade não está apenas em criar uma peça bonita. Está em encontrar o material certo para reduzir desperdício. Está em simplificar a montagem para ganhar escala. Está em adaptar a solução para diferentes formatos de loja. Está em transformar uma limitação em eficiência.


  A loja me ensinou que, muitas vezes, o melhor trabalho não é o mais complexo. É o mais preciso.


  Vivemos um momento em que o mercado fala muito sobre dados, inteligência artificial, retail media e novas jornadas de consumo. Tudo isso é importante. Mas nenhuma dessas conversas elimina uma verdade simples: a experiência da marca ainda precisa acontecer bem no mundo real.


  O ponto de venda não morreu. Ele ficou mais exigente.


  E, justamente por isso, não dá mais para tratar trade marketing como uma área que apenas coloca material na loja. Trade precisa ser uma ponte entre intenção comercial e realidade operacional. Entre marca e canal. Entre criatividade e venda. Entre estratégia e execução.


  Foi dessa percepção que nasceu muito do nosso jeito de trabalhar na 75LAB.


  A gente acredita que uma boa solução de trade começa na escuta. Na visita. Na pergunta certa. No entendimento do que realmente precisa ser resolvido. Às vezes, o desafio não é criar algo maior, mas algo mais simples. Não é fazer mais materiais, mas fazer melhor.


  Porque, no fim, o ponto de venda não premia discurso. Premia clareza, consistência e execução.


  Foi a loja que me ensinou isso. E até hoje, é ela que continua mostrando quando uma ideia é boa de verdade.

26/06/2026

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