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Imagem destaque: O atacarejo como motor de crescimento do varejo supermercadista
Crédito: Divulgação / TOTVS

O atacarejo como motor de crescimento do varejo supermercadista

*Por João Giaccomassi, diretor do Segmento de Supermercados da TOTVS

 

 Nos últimos anos, o setor supermercadista brasileiro passou por uma transformação profunda e o atacarejo despontou como um dos principais motores desse crescimento. O modelo, que combina características de atacado e varejo, tem atraído cada vez mais públicos diversos, incluindo consumidores de maior renda que, em tese, poderiam optar por formatos mais tradicionais. De acordo com uma pesquisa da NielsenIQ, 75% das classes A e B frequentaram o atacarejo no último ano, número acima dos 63% das classes C, D e E. Isso vai contra a percepção comum de que o público de menor poder aquisitivo seria o principal adepto desse modelo e, também, sinaliza oportunidades inexploradas para o segmento em regiões e faixas de renda mais baixas.

 

 É curioso notar como essa busca pelo “menor preço” supera barreiras de distância e locomoção. O fato de muitas lojas de atacarejo estarem em áreas afastadas do centro, onde o metro quadrado é mais barato, pode inibir parte das classes C, D e E, que precisariam arcar com transporte até essas unidades. Ainda assim, os dados mostram que esse cenário começa a mudar. Entre março de 2023 e março de 2024, a frequência das camadas de menor renda no atacarejo passou de 56,6% para 63%, indicando um crescimento considerável. Essa evolução tem bases sólidas, como a expansão das lojas para regiões mais centrais e a melhoria da estrutura de transporte.

 

 Em paralelo, a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e outros institutos de pesquisa apontam que o atacarejo se tornou um pilar do crescimento do varejo brasileiro, graças à sua capacidade de atender tanto consumidores finais em busca de preços competitivos, quanto pequenos comerciantes que se abastecem para revenda. Esse fenômeno se intensificou em meio a um cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros altos e restrições ao crédito. Dados compilados pela Scanntech mostram que as redes regionais de atacarejo cresceram 7,8% em faturamento, acima dos 6,5% dos supermercados convencionais no ano de 2023. Já um levantamento da NielsenIQ indica alta de 13,2% em valor para o atacarejo apenas em novembro de 2024.

 

 Outro fator importante é a consolidação do atacarejo como líder no varejo alimentar. De acordo com o IBGE, o segmento vem registrando um crescimento robusto nas vendas e reforçando sua participação de mercado. Grandes redes expandiram suas receitas, enquanto antigos hipermercados migraram para o formato de atacarejo. Além de oferecer preços competitivos — geralmente de 10% a 15% inferiores aos supermercados tradicionais (NielsenIQ) —, o atacarejo consegue capitalizar em localização privilegiada quando assume instalações antes ocupadas por grandes lojas. Isso gera um efeito de aumento de vendas sem grande acréscimo em despesas operacionais, melhorando a margem.

 

 Entretanto, o futuro do atacarejo não está isento de desafios. Manter margens baixas exige volume de vendas constantemente elevado. Se as vendas por metro quadrado deixarem de crescer, o formato pode enfrentar complicações, especialmente porque lidar com grandes áreas implica custos fixos elevados. Além disso, a tentativa de incorporar serviços como açougue e padaria gera complexidade operacional, podendo aumentar as perdas ou a necessidade de mão de obra especializada.

 

 Mas esse retrato não apaga o fato de que o atacarejo ainda tem vasto potencial de expansão entre as classes C, D e E, que representam uma fatia relevante da população brasileira. A NielsenIQ (2024) salienta que esses grupos podem se tornar mais assíduos se houver lojas em localizações mais acessíveis e políticas de preços que permitam compras menores, sem exigir grandes desembolsos de uma só vez. Esse público, muitas vezes, não quer correr o risco de “comprar errado”, o que os leva a preferir marcas de maior qualidade, ainda que mais caras, reforçando a necessidade de um mix variado e bem estudado.

 

 O atacarejo tem se mostrado um verdadeiro motor do varejo brasileiro, alavancando crescimento tanto entre classes mais abastadas quanto entre aquelas de menor poder aquisitivo. O segredo para manter essa trajetória de sucesso passa por consolidar a presença em áreas urbanas, expandir serviços e ofertas que atendam às diferentes necessidades dos consumidores e continuar apostando na eficiência operacional. A conjunção desses fatores deve sustentar a expansão do formato por mais alguns anos, solidificando o atacarejo como peça-chave no mercado alimentar do país.

24/03/2025

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