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Da pipoca comum à construção de marca: o que aprendi transformando um carrinho em uma rede milionária

*Por Maurício Matheus, fundador da Baurucas

 

Empreender no Brasil nunca foi simples. Em um mercado competitivo, com custos altos e mudanças constantes no comportamento do consumidor, sobreviver já é um desafio. Crescer de forma sustentável, então, exige muito mais do que ter um bom produto.

 

No segmento de alimentação, isso fica ainda mais evidente. O Brasil está entre os maiores produtores e consumidores de milho-pipoca do mundo, movimentando um mercado enorme todos os anos. Ainda assim, vender pipoca nunca foi apenas sobre pipoca. Foi essa percepção que mudou completamente a trajetória da Baurucas.

 

Muita gente acredita que o diferencial de um negócio está apenas na qualidade do produto. Claro que qualidade é obrigação. Mas ela, sozinha, não sustenta crescimento. Existem centenas de empresas fazendo produtos bons. O que realmente diferencia uma marca é a forma como ela se posiciona, a conexão que cria com o cliente e a experiência que entrega.

 

Quando começamos, ainda de forma pequena, entendemos rapidamente que não bastava vender um produto tradicional. Precisávamos transformar algo simples em uma experiência de consumo, em uma marca com identidade própria e valor percebido.

 

Foi aí que percebemos um dos maiores erros de quem começa: tratar marca como apenas uma identidade visual. Marca não é logo bonita. Marca é posicionamento, proposta de valor e percepção. É a forma como o cliente se lembra de você e, principalmente, o motivo pelo qual ele escolhe voltar. Outro aprendizado importante foi entender que começar pequeno pode ser uma vantagem estratégica. Existe uma romantização muito grande sobre crescer rápido, abrir várias unidades e escalar imediatamente. Mas crescimento sem estrutura quase sempre cobra um preço alto depois.

 

No início, o pequeno empreendedor tem a oportunidade de fazer algo extremamente valioso: testar. Testar produto, operação, preço, atendimento e entender profundamente o comportamento do cliente. Antes de vender qualquer coisa, é preciso descobrir o que, de fato, o consumidor está comprando quando escolhe sua marca.

 

Na maioria das vezes, ele não está comprando apenas comida. Está comprando conveniência, experiência, pertencimento, lembrança afetiva ou identificação com o posicionamento da empresa.

 

Existe também um ponto pouco discutido entre os novos empreendedores: a margem. Muitos negócios quebram não por falta de venda, mas porque nunca entenderam seus números. Margem é proteção. Ela reduz vulnerabilidades, mantém o ponto de equilíbrio saudável e permite atravessar momentos difíceis sem transformar a empresa em uma operação instável.

 

Quando o empreendedor não domina isso desde cedo, vira refém de fatores externos: aumento de custos, sazonalidade, promoções excessivas, aluguel e pressão operacional. O negócio deixa de ser previsível e passa a funcionar em ciclos de sobrevivência.

 

Empreender é um processo contínuo de aprendizado. Nenhuma empresa nasce pronta. A prática ensina muito mais do que qualquer teoria isolada. Com calma, resiliência e capacidade de adaptação, os erros se transformam em conhecimento estratégico.

 

Hoje, a Baurucas soma mais de 44 lojas em operação entre Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, com uma fábrica que produz cerca de 10 toneladas mensais. Encerramos 2025 com faturamento de R$ 26 milhões e projetamos alcançar R$ 45 milhões em 2026, avançando para novos estados do Sudeste e ampliando nossa capacidade produtiva.

 

Mas, olhando para trás, a principal lição continua sendo simples: negócios sólidos não são construídos apenas com bons produtos. São construídos com marca forte, operação inteligente, consistência e visão de longo prazo.

01/06/2026

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