Como as constantes evoluções nos meios de pagamento afetam a experiência do consumidor
PorTiago
Cabral, CSO da TecToy
O
varejo desempenha um papel fundamental na economia de um país, e é evidente
que, para haver um desenvolvimento nesse setor, é necessário contar com um
elemento essencial: o consumidor. O cliente é sempre aquele que dita as regras
de como os estabelecimentos devem oferecer os produtos e serviços, tudo isso
com a intenção de convencê-los a concluir a compra. No entanto, com tantos
avanços tecnológicos nos últimos anos, esse processo tem se tornado cada vez
mais desafiador para os empreendedores que precisam se atualizar
constantemente.
Atualmente,
as lojas buscam alcançar um objetivo único, que é fidelizar o cliente,
investindo, assim, consideravelmente no Customer Experience (CX). A experiência
do consumidor com a loja é o que fará com que ele retorne ao estabelecimento
para efetuar novas compras e recomende a outras pessoas. E, dentro de uma
cadeia tão vasta de fatores que podem influenciar nessa jornada, encontram-se
os meios de pagamento.
Os
meios de pagamento são opções escolhidas pelo consumidor para concluir as
compras, de acordo com suas preferências. O que antes era um processo limitado
ao pagamento em dinheiro físico ou cheque, o que restringia as opções de
pagamento e tornava necessário o transporte de grandes quantias monetárias,
hoje envolve diversas possibilidades que o cliente tem para realizar suas
transações. Ou seja, uma das principais formas pelas quais as evoluções nos
meios de pagamento afetam a experiência do consumidor é através do aumento da
conveniência.
Quando
os dispositivos móveis começam a se popularizar no país, os clientes passam a
ter uma opção mais prática e segura para realizar compras. Entre os meios
populares, encontram-se o Pix, cartões de crédito e débito, carteiras digitais,
QR Code e boletos. Para esses novos métodos, os smartphones desempenham um
papel fundamental na efetuação de pagamentos rápidos, bastando apenas ter
aplicativos bancários instalados nos aparelhos, sem a necessidade de carregar
carteiras físicas.
É
evidente que a facilidade e a agilidade que esses métodos de pagamento oferecem
ao consumidor são fatores determinantes para a escolha. Um exemplo desse
cenário é o pagamento instantâneo e isento de taxas, criado em 2020, que se
tornou o principal meio de pagamento no Brasil em pouco mais de dois anos de
operação.
De
acordo com uma pesquisa realizada pela Opinion Box neste ano, que contou com a
participação de 2.091 pessoas, 64% dos brasileiros revelam preferir o Pix. Em
seguida, o cartão de crédito é a escolha de 59% dos entrevistados. O mesmo
estudo apontou que o uso do cartão no Brasil ocorre tanto em lojas físicas
quanto online.
A
popularidade do cartão de crédito também demonstra que a facilidade continua
sendo o que os consumidores desejam. O motivo é que ele pode ser utilizado a
qualquer momento, o valor pode ser parcelado, e o cliente ainda tem a opção de
escolher a melhor data para efetuar o pagamento das aquisições realizadas
durante o mês, o que proporciona maior comodidade nas transações.
Além
da conveniência, as evoluções nos meios de pagamento também têm proporcionado
uma maior segurança nas transações. Os cartões com chip e as tecnologias de
pagamento sem contato reduzem a exposição dos consumidores a fraudes e
clonagens. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e
Serviços (ABECS), 40% das transações presenciais são feitas por aproximação,
utilizando a tecnologia NFC. Além disso, 70% dos entrevistados afirmaram que se
sentem mais seguros e confortáveis ao utilizar essa solução.
A
evolução no cenário dos meios de pagamento foi tão significativa que alguns
métodos que existem há anos no país estão sendo estudados para serem
encerrados, como é o caso do DOC/TED e dos cheques bancários. Por outro lado,
sistemas de pagamento móvel oferecem recursos de autenticação biométrica, como
impressões digitais e reconhecimento facial, que garantem uma camada adicional
de segurança, utilizando Inteligência Artificial (IA). O uso de tokens pessoais
para pagamentos também já é uma realidade, com o objetivo de proporcionar mais
proteção nas transações e uma experiência única aos consumidores.
No entanto,
apesar de todos esses benefícios, é importante considerar que as constantes
evoluções nos meios de pagamento podem criar uma exclusão digital. Nem todos os
consumidores têm acesso a smartphones, conexões de internet estáveis ou até
mesmo contas bancárias. Isso pode limitar o uso dessas tecnologias e deixar
certas pessoas em desvantagem na hora de realizar transações financeiras.
Portanto, é essencial que as empresas e governos busquem soluções inclusivas
que garantam que todos os consumidores tenham acesso aos avanços tecnológicos e
não sejam abandonados.
Em
resumo, as constantes evoluções nos meios de pagamento têm revolucionado a
experiência do consumidor de forma positiva. A conveniência, segurança e
agilidade proporcionadas por essas inovações têm facilitado a vida dos clientes
e melhorado a eficiência das transações financeiras. No entanto, é necessário
estar atento à exclusão digital e buscar soluções inclusivas que garantam que
todos os consumidores possam se beneficiar desses avanços. Afinal, a evolução
dos meios de pagamento deve ser acompanhada por uma sociedade mais acessível e
igualitária.
