Como a tecnologia deve apoiar o retorno das classes C e D à economia
*Por João Cruz, CEO e fundador da Eye
Ainda que seja uma jornada repleta de obstáculos, especialmente no
início do negócio, o empreendedorismo passou a ser o sonho de muitos
brasileiros. Diante de tantas exigências do mercado atual, quem lidera uma
pequena ou microempresa precisa contar com o apoio de boas ferramentas para
vencer um dos principais desafios: gerenciar todos os processos da empresa,
muitas vezes, sozinho. Além da falta de tempo, a pouca proximidade com a tecnologia
pode desacelerar o crescimento e prejudicar os resultados do negócio. Portanto,
como as soluções tecnológicas vão auxiliar o retorno das classes C e D à
economia?
Embora o pequeno empreendedor não conte com grandes recursos para
realizar altos investimentos, o tempo se torna o ativo mais importante no
desenvolvimento do seu próprio negócio. Principalmente no início, quando o
grande desafio passa a ser lutar contra o relógio e dar conta de todos os
processos que fazem o empreendimento funcionar, é muito comum encontrar perfis
de empreendedores multitarefas, que atendem o cliente, realizam cobranças,
recebem fornecedores, se dedicam à produção e ainda fazem a contabilidade e
administração de todo o negócio. Dificilmente eles são amparados, visto que, ao
precisarem se ausentar por um compromisso pessoal, o estabelecimento precisa
ficar fechado o dia todo. Nesse cenário, como evoluir com o negócio se falta
tempo para pensar em novas soluções?
Quando fundei a Eye, ainda
como microempreendedor individual, percorri essa mesma jornada, onde fazia
absolutamente tudo sozinho, desde a prospecção de novos clientes até a captação
de recursos para implementar na empresa. Como resultado, várias áreas de
desenvolvimento do negócio ficaram estagnadas, porque a minha maior inquietação
era buscar novos clientes, fechar a parceria e estar pronto para receber o
próximo. Quando se é pequeno, a preocupação com o fluxo operacional é tão
grande, que mal temos tempo de explorar a parte estratégica. À medida em
que as pessoas foram entrando, com suas expertises e orientações, pude dedicar
mais tempo na busca por soluções que fossem compatíveis com os meus objetivos
de negócio.
Uma vez que automação, agilidade e praticidade integram os
processos da empresa, a preocupação passa a ser em dar o próximo passo, com
maior controle, diminuição da margem de erros, otimização de resultados e
proatividade para buscar novos recursos. Além disso, com o apoio da tecnologia
o empreendedor também passa a ofertar uma experiência de compra capaz de atrair
e reter novos consumidores, com a implementação do modo fidelidade e
recompensa, por exemplo.
Hoje, mapeamos dois perfis principais desses empreendedores: o que
está na internet e o que não está. O primeiro, embora em operação com o mínimo
de digitalização, ao escalar as redes sociais para ampliar o alcance e
interagir com potenciais clientes, pode ser impactado com uma mídia de oferta e
consiga fazer uma relação de imediato sobre uma necessidade do seu próprio
negócio. Já o segundo, além da dificuldade em encontrar essas propostas, o
processo de como contratar, configurar e implantar o sistema pode representar
um dos principais desafios.
Uma maneira de solucionar essa demanda é oferecer um atendimento
em que o agente visite o empreendedor e ofereça o serviço porta-a-porta. No
início, muitas pessoas consideravam loucura ofertar um software indo até
a loja do cliente. Hoje, temos casos em que esses empreendedores,
principalmente na fase inicial do negócio, prestaram agradecimentos ao
encontrarem nessa proximidade a oportunidade de melhorar a gestão, aumentar o
faturamento e otimizar a experiência do consumidor. Com o apoio da tecnologia,
é importante erradicar essas desigualdades sociais e fornecer soluções
completas e acessíveis para o desenvolvimento progressivo de pequenos
empreendedores, independentemente da área de atuação.
Para o pequeno e microempreendedor, o modelo tradicional de
automação comercial ainda pode ser uma resistência, sendo muito comum encontrar
no caixa físico registros de vendas manuais, computadores, cabos e impressoras,
por exemplo. Embora estejam acostumados com o uso da maquininha de cartão,
apostar em um sistema de gestão inteligente que substitua esses equipamentos e
os integrem em uma única solução permite o empreendedor operacionalizar e
gerenciar suas vendas de forma mais simples e facilitada.
Para solucionar o problema de usabilidade, é importante garantir
eficiência e facilidade de interação, validando e testando a performance do
serviço oferecido sempre com foco na perspectiva do empreendedor. Talvez, se
fôssemos falar sobre esse processo três anos atrás, não teríamos tanta
aderência. Entretanto, hoje, o que se percebe é que o mercado de pequenos
empreendedores está em constante evolução e se adaptando às novas demandas do
cenário atual. O processo simples e acessível é o que quebrará essa objeção
na busca por uma solução urgente.
Apesar do crescimento de trabalhadores informais no mercado de
trabalho, esses empreendedores querem se profissionalizar. Dentro dessa
proposta, é preciso fortalecer iniciativas que aproximem o empreendedor da
profissionalização do seu negócio para que, de fato, seja reconhecido a partir
do processo de emissão do documento fiscal. Ao impulsionar esse crescimento e
promover o acesso à inovação damos voz para os pequenos e microempreendedores
explorarem novas possibilidades.
