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Imagem destaque: Black Friday vem aí: mas comece a reduzir as perdas agora mesmo
Anderson Ozawa/Créditos: Divulgação

Black Friday vem aí: mas comece a reduzir as perdas agora mesmo

*Por Anderson Ozawa, CEO da AOzawa Consultoria, especialista em Prevenção de Perdas e Governança


   A Black Friday, em novembro, costuma ser tratada como uma grande corrida para vender mais no varejo brasileiro. Ainda faltam três meses, mas empresas já negociam com fornecedores, planejam campanhas, reforçam estoques, contratam pessoas e disputam a atenção do consumidor. Tudo faz sentido. O problema começa quando o planejamento comercial avança mais rápido do que a capacidade da operação de suportar esse aumento de volume. Porque a Black Friday não testa apenas vendas, mas a empresa inteira.

 

   No varejo físico, maior fluxo de clientes pressiona estoque, recebimento, abastecimento, checkout, segurança e atendimento. Pequenas fragilidades, que durante o ano parecem administráveis, ganham outra dimensão quando a operação acelera. Divergências de inventário, erros de preço, furtos, avarias, rupturas, falhas de conferência e equipes pouco preparadas passam a consumir resultado exatamente quando a empresa mais espera lucrar.

 

   No digital, os riscos assumem outras formas. Fraudes, chargebacks, indisponibilidade de sistemas, erros de cadastro, cancelamentos, falhas de separação, expedições incorretas, atrasos e devoluções podem transformar rapidamente crescimento de vendas em aumento de custo. Mas existe uma terceira dimensão que merece atenção ainda maior: a conexão entre os canais.

 

   O consumidor não separa mais loja física de digital da mesma forma que muitas empresas ainda separam suas operações, pois ele pesquisa no aplicativo, compra no site, retira na loja, troca em outro ponto e espera encontrar o mesmo preço, estoque e nível de serviço em toda a jornada. Quando os sistemas e processos não acompanham essa realidade, aparecem perdas que dificilmente cabem em uma única área: venda de produto sem estoque disponível, retirada sem baixa correta, preços divergentes, separações duplicadas, devoluções mal controladas e cancelamentos depois de a operação já ter consumido recursos.

 

   É por isso que a prevenção de perdas da Black Friday precisa começar agora. Não apenas com mais segurança ou fiscalização, mas com revisão de processos, inventários confiáveis, testes de sistemas, treinamento das equipes, análise das regras promocionais, definição de responsabilidades e acompanhamento dos indicadores que realmente afetam o resultado.

 

   Existe ainda uma perda que costuma receber menos atenção: a comercial. Nem toda promoção gera valor, pois, desconto excessivo, frete subsidiado, cashback mal dimensionado ou campanhas que aumentam vendas sem proteger margem podem criar uma Black Friday extraordinária no faturamento e decepcionante no resultado.

 

   Essa talvez seja a principal mudança de perspectiva que o varejo precisa fazer. A pergunta não pode ser apenas: quanto pretendemos vender? Ela precisa vir acompanhada de outra: quanto desse valor conseguiremos preservar depois dos descontos, erros, fraudes, devoluções, rupturas e custos adicionais da operação?

 

   A Black Friday funciona como um amplificador: processo frágil fica mais frágil; estoque desorganizado fica mais exposto; dados ruins geram decisões piores; sistema mal parametrizado multiplica erros; equipes sem preparo sentem primeiro a pressão do volume.

 

   Por isso, esperar novembro para falar de perdas significa chegar tarde, porque a melhor Black Friday não é necessariamente aquela em que a empresa bate recorde de vendas: é aquela em que consegue transformar o aumento de demanda em resultado sem perder o controle da operação.

 

   Vender mais é importante. Preservar, com governança executiva, o valor gerado por essas vendas é o que transforma movimento em lucro e, isso começa muito antes da Black Friday.

21/08/2026

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