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Imagem destaque: Especialista analisa o boom dos pedidos de recuperação judicial das redes e marcas do varejo
Fernando Faro, diretor de operações da Varejo 360 (Crédito: Divulgação)

Especialista analisa o boom dos pedidos de recuperação judicial das redes e marcas do varejo

 Uma onda de pedidos de recuperação judicial tem atingido o varejo, a indústria e o food service no Brasil. Em menos de duas semanas, a Bombril e a Ducoco Alimentos entraram em recuperação judicial. Além disso, o supermercadista premium St. Marche deve fazer parte desse grupo, buscando negociar dívidas de R$ 639 milhões. Neste ano, a rede catarinense Líder Atacadista também aderiu ao recurso. Para Fernando Faro, diretor de operações da Varejo 360, empresa de inteligência e pesquisa de mercado, esse cenário reflete uma situação estrutural, que afeta empresas de todos os portes. “Quando analisamos as estatísticas de recuperação judicial, vemos isso afetando comércio, serviços, indústria, agricultura, mineração… Está afetando todo mundo, então não é um problema localizado, é um problema estrutural do país”, analisa o executivo, em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News. Especializado em finanças e varejo, Fernando atuou 18 anos no Carrefour, além de ter passagens pelo Makro Atacadista e Klabin.


Recorde de recuperações

  Em 2024, o Brasil registrou um número recorde de recuperações judiciais, com aumento de 61% em relação a 2023. Segundo dados do Serasa, foram 2.273 pedidos ao todo. O recorde anterior foi de 1.863 pedidos em 2016. No ano passado, fizeram parte do recorde empresas como Dia, Polishop e Casa do Pão de Queijo. Já em 2023, o recurso para evitar a falência foi adotado pela Americanas, Grupo Petrópolis e SouthRock. “Não dá para falar de recuperação judicial sem citar a pandemia. A grande inflexão desse processo foi a pandemia, afetando diferentemente as empresas. As redes de varejo alimentar foram até beneficiadas de certa forma e praticamente todas publicaram resultados excelentes na pandemia. Por outro lado, as empresas de food service foram muito mais impactadas e tiveram que fechar as lojas num primeiro momento”, detalha o diretor.


Ambiente inflacionário

  No período, o governo criou o Auxílio Emergencial, que totalizou R$ 311,1 bilhões em recursos distribuídos à população em 2020, segundo a Agência Senado. “Isso aconteceu não só no Brasil, mas no mundo inteiro, gerando um ambiente de inflação global”, ressalta Fernando. Além disso, o diretor explica que até a pandemia, a taxa de juros vinha caindo no país e, depois, subiu de forma significativa. “Juntou o lockdown, mais a questão da taxa de juros aumentando, e isso foi a semente para os problemas que as empresas estão passando hoje, além da inflação.” Para o diretor, outros dois fatores impactam esse cenário. O primeiro é que o Brasil historicamente tem problema de produtividade. “Qualquer ‘soluço’ no ambiente macroeconômico acaba afetando as empresas.” O segundo fator é que, após o caso de fraude contábil da Americanas, houve uma ponderação maior dos bancos em relação à concessão de crédito, impactando a capacidade das empresas de se financiarem. 


Medidas do varejo

  Dado o patamar da taxa de juros, a recuperação judicial, segundo Fernando, talvez seja a única opção que essas empresas têm. “Se não fizerem isso, vão quebrar e decretar falência.” No entanto, apesar de ser um mecanismo válido para negócios que estão com dificuldades, podem ficar sequelas na relação com fornecedores e credores. “Ninguém vai romper com a Bombril, por exemplo, ou deixar de comprar porque a empresa está em recuperação judicial, mas isso cria uma complexidade adicional no dia a dia das negociações comerciais”, avalia o executivo. Para lidar com a crise financeira, a palavra de ordem tem sido reduzir o endividamento. As empresas estão suspendendo ou diminuindo os investimentos em novas lojas, fechando operações deficitárias e vendendo ativos. “Também há muitas ações para reduzir e otimizar ao máximo os estoques, além de renegociação de prazos para pagamentos”, finaliza Fernando.

20/02/2025

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