Cenário econômico e os desafios do varejo brasileiro
A economia brasileira tem demonstrado resiliência nos últimos anos. Segundo Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, o Brasil tem crescido acima de 3% ao ano e registrado uma melhora substancial na geração de empregos. “A taxa de desemprego hoje, em torno de 6%, é a menor desde 2014”, afirmou o economista durante o RPE Summit, evento que reuniu nomes da economia e do varejo em São Paulo (SP). Mesmo com a piora da inflação, há um balanço positivo, visto que a renda das famílias e a massa salarial estão crescendo. “Nos últimos 2 ou 3 anos, estamos vendo uma desaceleração. A renda e o emprego estão crescendo menos, mas não é um cenário de recessão. Esse ano, o crescimento do PIB deve ficar próximo de 2%”, prevê Loyola.
Crescimento moderado
Para 2026, o economista prevê um “otimismo cauteloso”. “O Brasil não vai deixar de crescer, mas não é esperado um crescimento muito grande de vendas.” Até o próximo ano, são observados riscos para o mercado como o movimento que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito no comércio internacional, que pode ter efeitos no Brasil. “As exportações correspondem a 12% do PIB, mas a imposição de tarifas gera uma redistribuição global nas cadeias produtivas”, analisa Gustavo Loyola. Além disso, deve haver uma queda nos juros apenas em 2026, quando o consumo também deve ser movimentado pelas eleições.
Riscos no varejo
Os riscos que podem afetar o varejo em 2026 estão associados ao crédito, segundo o economista. “Dar crédito num ambiente de juros altos é sempre um risco.” Também pode haver a descontinuidade de fornecimento de produtos para algumas áreas por conta de iniciativas de protecionismo. A orientação é que o varejo se prepare para um período em que o Brasil vai passar por eleições, havendo a oportunidade de melhorar a economia e iniciar um novo ciclo. Ainda, será necessário direcionar a atenção a variáveis de crédito, emprego, medidas governamentais de estímulo ao consumo e transformações tecnológicas.
Tarifas dos Estados Unidos
Na visão do executivo, neste cenário de tarifaço dos EUA, cabe às empresas brasileiras e às americanas que importam do Brasil trabalharem junto ao governo Trump e ao congresso americano para amenizar essa medida de protecionismo - visto que os canais diplomáticos estão “entupidos”. “Alguns produtos e regiões produtoras podem sofrer, por exemplo o Vale do Sinos, que é uma região calçadista. Mas quando olhamos para a economia como um todo, o comércio e o mercado de alimentos não devem ser tão afetados assim”, comenta Loyola.
Apostas online
Outro fator que vem afetando o mercado são as apostas online. De acordo com Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, as bets já movimentam mais de R$ 250 bilhões no Brasil. Uma pesquisa do Instituto aponta que 18% dos brasileiros (29,1 milhões de pessoas) fazem ou já fizeram apostas esportivas, enquanto 14% (22,6 milhões) jogam ou já jogaram em cassinos online. Dentre os brasileiros que fazem apostas esportivas, 41% dizem que redirecionaram parte do dinheiro que antes era destinado à compra de roupas e acessórios para as apostas. Assim, a disputa pelo bolso do consumidor ganha ainda mais concorrência, enquanto o varejo segue com mais uma preocupação.
