Os desafios do honest market no franchising
Gestão de Perdas nas Lojas
Após viver um boom na
pandemia, o honest market ganhou força entre os formatos de proximidade e, por
meio do sistema de franquias, segue levando novos empreendedores ao setor
varejista. "Muitas novas redes estão começando com esse modelo através do franchising
ou até implementando a franquia como um canal de crescimento. A gente tem hoje,
entre as operações associadas da ABF, 1.803 mercados nesse conceito honest
market, com 9 marcas. Em 2021, tínhamos apenas 3 marcas associadas, com 12
operações. Em 2020, era uma marca só, com 10 operações", destaca Adriana
Auriemo, vice-presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), com
exclusividade ao Jornal Giro News. No entanto, a rápida expansão através de
franquias pode trazer dificuldades relacionadas à gestão de perdas, sobretudo,
aos franqueados.
Resolução de Furtos
Ricardo Vieira, presidente
do Instituto Nacional do Varejo, ressalta que um dos maiores problemas do
honest market é a questão dos furtos. "Temos uma taxa tolerável que é de 2% no
varejo. No honest market, a representatividade dos furtos nas vendas varia até
8%." Segundo o dirigente, os franqueadores devem oferecer soluções escaláveis
para minimizar esses impactos para os empreendedores. Na rede market4u, a saída
encontrada foi buscar parcerias com empresas como Microsoft e Positivo
Tecnologia, que são responsáveis pelos softwares e equipamentos oferecidos aos
franqueados. "É fundamental que a franqueadora seja responsável pelo
investimento e desenvolvimento das tecnologias e meios para minimizar esse
desafio. Hoje, o market4u realiza esse serviço para a rede de franqueados,
monitorando os pontos de experiência deles e realizando a cobrança quando
necessário, evitando atrito com os clientes", detalha Eduardo Córdova, CEO do
market4u.
Inteligência na Operação
O uso de tecnologias e uma
comunicação leve e assertiva com os clientes são essenciais para o honest
market crescer. É o que afirma Carlos Miguel Ziegler, head de negócios da
unidade de varejo do Grupo Agricopel, dono da bandeira Ponto Mime. "Além disso,
o formato não pode ser apenas uma prateleira com alguns produtos. Tem que ter
inteligência de categoria por trás, permitindo que o cliente possa suprir as
suas necessidades. O honest market tem que ser mais bem executado na ponta", destaca
o executivo. Segundo Adriana Auriemo, é papel dos franqueadores definir quais
sistemas serão colocados no negócio, assim como novas tecnologias a serem
implantadas. "Além de escolher muito bem o ponto, é importante que os
empreendedores conversem com outros franqueados da rede, não só para saber se
franqueadora faz a parte dela, mas para entender o dia a dia da operação e se
está alinhada ao seu perfil", recomenda a vice-presidente.
Lacunas no Modelo
O honest market é
observado como um segmento que ainda tem grandes oportunidades de crescimento
no Brasil, sobretudo com ajustes em sua operação. "Esse mercado tem que se
reinventar. A análise de potencial da loja está limitada ao condomínio. Então,
cabe ao franqueador entender quais são os momentos de consumo dos moradores
para explorar mais o potencial de venda de cada condomínio", avalia Ricardo
Vieira. Para o executivo, os franqueadores devem se atentar às frentes de
inventário rotativo, previsão de vendas e gestão de abastecimento das lojas. De
acordo com Miguel Ziegler, outros pontos em foco devem ser precificação,
gerenciamento de categoria e logística. "A tecnologia tem que ser uma aliada
nesses processos. Precisamos mensurar, ter relatórios, metodologias e processos
muito bem definidos para o controle do honest market", conclui o head.
