Mercado de delivery no Brasil vive nova fase de expansão e desafios
O delivery no Brasil vive um momento de intensa disputa e transformação, marcado pela entrada de novos players e estratégias de expansão regional. Segundo um levantamento do Statista, com faturamento anual superior a R$ 100 bilhões, o mercado - que antes era dominado pelo iFood - agora se vê desafiado por concorrentes que chegam com planos agressivos. Mais recentemente, a Keeta, controlada pelo grupo Meituan, iniciou sua operação em 1º de dezembro na capital paulista e mais oito municípios da região metropolitana, com a intenção de implementar soluções que trarão benefícios para todo o ecossistema de delivery de comida. Com investimento de R$ 1 bilhão, os recursos serão destinados ao aprimoramento de operações e tecnologia, ao apoio a diversos restaurantes - especialmente Pequenas e Médias Empresas (PMEs) -, à atração de consumidores por meio de experiência de compra e à promoção de mais opções de ganho e maior segurança para os entregadores.
Enquanto isso, a 99Food, pertencente à chinesa DiDi Chuxing, retomou suas atividades no Brasil após encerrar operações em 2023. Com presença em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Minas Gerais e, mais recentemente, na região metropolitana de Curitiba, a empresa aposta em taxas reduzidas, incentivos para entregadores e eliminação de comissões para restaurantes como forma de atrair parceiros. Com todos esses movimentos, o iFood e o Rappi começam a reagir. O gigante do mercado de delivery tem investido em delivery turbo, interação com o WhatsApp, refeições frequentes com preços mais baixos, além de crédito para restaurantes. Já o Rappi, que detém cerca de 9% do setor no Brasil, aposta na multiverticalidade, em ações promocionais e parcerias - como a mais recente com o PicPay, que permite realizar pedidos sem a necessidade de ser usuário de ambos os aplicativos.
Tentativas Anteriores
Não é a primeira vez que o iFood vê o mercado de delivery ganhar novos players com planos ousados de expansão. Há poucos anos, empresas como Uber Eats e Glovo chegaram e deixaram o Brasil. A Uber Eats encerrou suas operações em 2022, alegando dificuldades de rentabilidade e competição desleal. Já a Glovo, startup espanhola - com apenas um ano de atuação - também abandonou o país após não conseguir se consolidar frente ao domínio do iFood e à complexidade logística brasileira, optando por concentrar seus esforços em outros países da América Latina, Europa e África.
Delivery no Interior
Enquanto gigantes disputam grandes centros urbanos, empresas como o aiqfome, adquirido pelo Magalu, apostam em cidades do interior para desenvolver. Com atuação em mais de 700 cidades brasileiras, o aiqfome foca em mercados menos saturados, oferecendo soluções personalizadas para restaurantes locais e entregadores. Essa estratégia tem se mostrado eficaz para ampliar a base de usuários e fidelizar parceiros fora do eixo Rio-São Paulo. Atualmente, a empresa está presente em 22 estados e tem forte presença em regiões como: Paraná (Maringá, Londrina, Cascavel); São Paulo (Barretos, São Carlos, Franca); Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, por exemplo. (Trazer mais dados - divulgamos recentemente)
Perspectivas
Com investimentos que somam R$ 14 bilhões até 2030, o mercado de delivery no Brasil caminha para uma nova configuração. A concorrência tende a beneficiar consumidores com preços mais baixos e serviços mais eficientes, enquanto restaurantes e entregadores ganham alternativas de parceria. O futuro do delivery no Brasil será moldado não apenas pela disputa entre gigantes, mas pela capacidade de adaptação às realidades regionais e às demandas de um consumidor cada vez mais exigente e conectado.
