Havanna entra em recuperação extrajudicial no Brasil com dívida de R$ 127 milhões
A operação brasileira da Havanna, rede argentina de cafeterias e produtos à base de doce de leite, deu início a um processo de recuperação extrajudicial na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo. A medida visa reestruturar um passivo acumulado de aproximadamente R$ 127,7 milhões com credores institucionais e fornecedores. O processo abrange seis empresas do grupo controlado pelo empresário Marcos Rothenberg, incluindo a Café Del Plata e a DGA Doces Del Plata (responsáveis pelas lojas e franquias da marca no país), além de companhias do segmento de perfumaria e cosméticos, como a rede Fragrance.
Em nota ao Giro News Food Service, a Havanna diz que “o processo de recuperação extrajudicial foi iniciado em função de obrigações contratadas por outras empresas do grupo acionista da Havanna, sem relação com questões operacionais ou financeiras da Havanna, que é solidária nas obrigações financeiras do grupo. Este processo de recuperação tem como objetivo justamente garantir que obrigações solidárias das empresas não afetem a capacidade operacional, os compromissos da Havanna com seus fornecedores, franqueados e parceiros”.
A empresa ainda afirma que “o negócio da Havanna segue em franca expansão, com a abertura de mais de 30 novas operações no primeiro semestre de 2026. A empresa segue comprometida com seu plano de chegar a mais de 700 pontos de venda entre seus diversos modelos de operação até o ano de 2030 no Brasil, e expandir as categorias de produto que levam o Dulce de Leche Havanna, bem como democratizar o acesso a marca através da distribuição de produtos no varejo alimentar”.
Plano Financeiro
A crise financeira que levou ao pedido decorre principalmente do contágio por garantias cruzadas entre as empresas do mesmo grupo — a principal delas é a marca de perfumes Fragrance —, cenário que foi agravado pela alta dos juros e por compromissos assumidos no período pós-pandemia. A medida cautelar foi acionada para proteger o grupo e suspender execuções de dívidas, barrando inclusive um pedido de falência movido pela fabricante de chocolates Top Cau, no valor de R$ 4,1 milhões.
Dentro do plano pré-negociado apresentado aos credores concursais, a empresa propõe um deságio de 95% no valor do passivo. Na prática, 5% do montante devido será amortizado em 10 parcelas anuais, após um período inicial de carência de 12 meses. Além disso, para reforçar sua liquidez imediata durante a reestruturação, a companhia projeta captar até R$ 2,5 milhões por meio de financiamento Debtor-in-Possession (DIP), cujos aportes não sofrerão o corte do deságio. Apesar da reestruturação financeira, a Havanna reforça que a operação comercial, o suporte aos franqueados e a cadeia de fornecedores continuam funcionando normalmente. As informações são do portal Exame.
