Confeiteiros amadores impulsionam mercado de confeitaria
Na Cacau Foods as vendas de confeitos decorativos cresceram 20% em 12 meses, puxadas por um fenômeno que a indústria de ingredientes para confeitaria já trata como estrutural, não sazonal: o consumidor decide o que vai produzir em casa a partir do que vê no feed. No Dia Mundial do Chocolate, celebrado em julho, a companhia descreve uma mudança de comportamento que reorganizou a demanda por ingredientes no país. Bombons personalizados, ovos de Páscoa com acabamento profissional e receitas elaboradas, que antes circulavam só em cozinhas domésticas, hoje pautam o que milhões de brasileiros decidem produzir em casa. Instagram, TikTok e YouTube se tornaram as principais vitrines de inspiração para confeiteiros amadores e profissionais, criando ciclos de tendência cada vez mais rápidos e mais exigentes com os ingredientes usados no processo.
"O feed virou vitrine, e a confeitaria acompanhou. A gente vê uma receita viralizar e, poucos dias depois, sente o impacto direto na demanda por determinados ingredientes. Isso mudou a forma como pensamos portfólio: hoje monitoramos tendência digital com a mesma disciplina que monitoramos preço de commodity", afirma Silvano Luna, fundador da Cacau Foods.
Produção Acompanha Demanda
O movimento tem raiz econômica: a oscilação de renda dos últimos anos empurrou mais brasileiros para a produção própria de doces e sobremesas, seja para consumo próprio, seja como fonte de renda extra. As redes sociais aceleraram esse processo ao oferecer tanto a inspiração quanto o padrão técnico a perseguir, elevando a exigência sobre acabamento, cor e consistência dos ingredientes. E a demanda já refletiu na produção, o volume fabricado pela companhia cresceu cerca de 20% nos últimos 12 meses, concentrado na planta industrial de Marília (SP). Mais do que fornecedora de matéria-prima, a Cacau Foods passou a atuar como parceira de criação desses confeiteiros, orientando sobre aplicações e antecipando tendências antes de atingirem o pico de busca. A empresa também mira crescer fora do país, com meta de que a exportação chegue a 30% da receita no médio prazo, com foco na América Latina, América do Norte e novos mercados na África.
