Apoio ao fim da escala 6x1 perde força nas pesquisas
O apoio à proibição da escala 6x1 vem diminuindo a força nas últimas semanas, segundo diferentes medições de opinião pública. Dados do Datafolha, da AtlasIntel, da Genial/Quaest e da Escuta Social da Abrasel indicam que esse apoio vem diminuindo à medida que o debate amadurece e a população passa a conhecer melhor seus impactos econômicos, seus custos e o risco de piora dos serviços essenciais. Mesmo diante dessa tendência, o Congresso Nacional tem acelerado a tramitação de projetos que tratam da proibição da escala 6x1. Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, há um claro descompasso entre o ritmo do Legislativo e o amadurecimento da discussão na sociedade.
"Mesmo depois de uma campanha oficial pesada, com televisão, cinema, rádio, internet e o próprio presidente da República defendendo a proposta, o apoio não voltou a crescer de forma consistente. Vários líderes e representantes do governo esperavam que com a campanha a aprovação ultrapassasse os 80%. E agora vemos o contrário. A escuta social já mostra que o recuo continua. Isso revela que, quando a população entende os custos, os impactos nos serviços e o fato de que nenhum país do mundo adotou esse tipo de proibição, o apoio emocional começa a derreter. A pressa pela eleição não pode ignorar os interesses e a vida do brasileiro", afirma Paulo Solmucci.
Recuo nas Pesquisas
Em março de 2026, a Escuta Social da Abrasel registrava 73% de manifestações favoráveis ao fim da escala 6x1 nas redes sociais. No mesmo período, o Datafolha apontava 71% de apoio à proposta. Já em 26 de abril, o indicador da Escuta Social caiu para 66%, sinalizando uma mudança relevante de percepção em poucas semanas. Em 30 de abril, levantamento da AtlasIntel mostrou um patamar ainda mais baixo, com 59,4% de favoráveis. No início de maio, houve uma oscilação pontual. Em 1º de maio, a Escuta Social indicou 67% de apoio, mas a tendência de queda voltou a aparecer na sequência. Em 8 de maio, o Datafolha registrou recuo para 64%.
As perguntas das duas pesquisas do Datafolha não eram exatamente iguais, pois em maio a pergunta sobre o apoio era precedida por uma pergunta sobre o nível de conhecimento do assunto, mas as duas avaliaram o suporte à proibição. O percentual de 64% se repetiu no dia 9 de maio na Escuta Social da Abrasel. No levantamento da Genial/Quaest, o apoio, que era de 72% em dezembro, caiu para 68% em maio. O conjunto dos dados revela um desgaste gradual do apoio popular à proposta nos levantamentos mais recentes que permitem comparação temporal. A Escuta Social da Abrasel já aponta que a tendência de recuo segue, de forma ainda mais acelerada, no ambiente digital.
Impactos da Escala
Segundo a Abrasel, a proibição da escala 6x1 traria impactos profundos para os setores essenciais, especialmente na saúde, alimentação fora do lar, serviços públicos, atividades de manutenção urbana e transporte, o que impactaria a sociedade como um todo. A entidade argumenta que a medida aumenta significativamente os custos operacionais, pressiona preços, reduz a competitividade e ameaça empregos, sobretudo em pequenos e médios negócios. Outro efeito apontado é o aumento do risco de informalidade. Com margens já apertadas, muitos pequenos e médios estabelecimentos poderiam ser forçados a reduzir equipes, cortar turnos, limitar horários de funcionamento ou recorrer a vínculos informais para manter as portas abertas. Além disso, a entidade destaca que uma regra única ignora a diversidade do mercado de trabalho brasileiro e enfraquece a negociação coletiva, que hoje permite soluções mais adequadas a cada setor e região.
