Farmácias podem perder 34% das vendas com avanço de OTC nos supermercados
A possível liberação da venda de medicamentos isentos de prescrição (OTC) em supermercados pode abrir uma frente relevante de concorrência no varejo farmacêutico. Dados da Worldpanel by Numerator mostram que 34% das compras realizadas em farmácias são compostas exclusivamente por OTC — transações que, em tese, poderiam migrar para outros canais. Se o projeto avançar, supermercados passam a disputar justamente as missões mais simples e rápidas — aquelas em que o consumidor entra na farmácia apenas para comprar um analgésico, uma vitamina ou um antigripal.
Crescimento puxado por consumidores menos intensos
O avanço recente da categoria foi impulsionado principalmente pelos chamados light buyers — lares de menor intensidade de compra —, que adicionaram 954 mil novos domicílios à base (+2 pontos percentuais). O crescimento, portanto, vem da ampliação da penetração e não do aumento da frequência, que permanece estável em quatro compras anuais por lar. Enquanto isso, as ocasiões de compra cresceram 2,1% e o volume médio por ocasião avançou 5,6%, chegando a 45 doses por compra - sinal de que o brasileiro está abastecendo mais quando vai à farmácia.
O que está realmente em disputa
Embora parte das compras seja exclusiva de OTC, as farmácias ainda capturam valor relevante via cross-category. O shopper de Higiene & Beleza, por exemplo, gasta o dobro do valor da cesta quando comparado ao comprador exclusivamente de OTC. O risco, portanto, não está apenas na migração de unidades vendidas, mas na perda de fluxo. Cada missão exclusivamente de OTC que deixa de acontecer na farmácia reduz a oportunidade de venda incremental de outras categorias. Ao mesmo tempo, o digital ganha espaço como ferramenta de retenção. Hoje, 62% das compras online de OTC acontecem via WhatsApp, consolidando o social commerce como braço estratégico das redes para manter relacionamento e conveniência.
