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Sua empresa não corre mais risco por causa da política em ano de eleição: corre risco quando as regras dentro dela deixam de ser claras

*Por Luciano Morroni, Diretor de Operações na ML Fundição Metais Preciosos


  Tenho lido bastante posicionamentos políticos na plataforma do LinkedIn. O que vejo são críticas, ofensas e reações passionais, mas poucos saem disso para construir algo que realmente melhore o debate.


  Por aí você já vê que os participantes destes embates digitais ainda habitam um mundo de selvageria e nada de inteligência, gritam muito, mas analisam pouco.


  Quando pensamos em marcas e política, olhamos para algumas empresas como a Patagonia ou Dove (entre tantas outras), empresas que transformaram o ativismo em DNA.


  Para a grande maioria dos líderes empresariais no entanto, isso parece uma realidade distante e perigosa. O mantra sempre foi claro: proteja a operação, foque no cliente e deixe a política para os políticos.


  Esse luxo acabou, queira você ou não, o erro está em achar que neutralidade é sinônimo de segurança.


  No Brasil atual, a maior ilusão de um executivo é acreditar que sua empresa está fora do jogo político só porque ela não se posiciona. Não se trata de ideologia, mas de sobrevivência mercadológica. Toda empresa quer queira ou não tornou-se um ator político, porque a estabilidade de seus clientes, de seus contratos e do mercado em que opera depende diretamente da saúde das nossas instituições.


  Essa dinâmica ficou clara no recente caso envolvendo a marca Ypê. Uma decisão que muitos acharam técnica e rotineira, e muitos acharam política, de recolher lotes específicos por contaminação bacteriana foi capturada pelas redes sociais e transformada, em poucas horas, em uma batalha ideológica barulhenta.


  De um lado, movimentos de boicote; do outro, campanhas inflamadas de apoio. Quando até o detergente na gôndola do supermercado é submetido a um tribunal político, fica evidente que as empresas perderam o controle sobre a neutralidade de suas marcas.


Governança e MKT

  Não estou defendendo o oportunismo de marketing ou demonstrações vazias de virtude. Quando marcas tentam surfar em pautas sociais sem autenticidade, o resultado é o desastre. O caso da Bud Light e da Jaguar ilustra isso com clareza, ambas as marcas cometeram o mesmo erro: tentaram adotar uma postura ideológica desconectada de sua essência (e do seu produto), sofrendo boicotes massivos tanto de consumidores tradicionais quanto de críticos políticos


  A provocação aqui é muito mais profunda e estratégica. Não se trata de escolher um lado no espectro partidário, mas de defender os fundamentos que tornam o capitalismo e o mercado em atividades que possam continuar em pé.


  O Estado de Direito, a previsibilidade jurídica, a regulação imparcial e a livre concorrência não são conceitos abstratos de livros de sociologia. Eles são o sistema operacional do comércio moderno. Se as agências reguladoras perdem a credibilidade ou os contratos mudam ao sabor do governante de turno, o risco fiscal e o custo de capital disparam.


Prepare sua empresa para as eleições

  Como as empresas podem navegar nessa linha tênue sem queimar pontes, especialmente às vésperas de mais uma eleição? A resposta exige um passo a passo claro de governança.


· Mapeie os Riscos Institucionais: Trate a polarização política como um risco operacional, prevendo cenários de crises nas redes sociais e preparando o comitê de imagem;


· Fortaleça os Canais de Compliance: Estabeleça diretrizes rígidas sobre o uso de recursos corporativos e garanta neutralidade absoluta na comunicação institucional;


· Proteja as Relações Comerciais: Baseie contratos com fornecedores e parceiros exclusivamente em critérios técnicos, blindando o ecossistema de pressões ideológicas externas.


  No varejo e nas indústrias, onde a operação depende da harmonia entre centenas de pessoas, estabelecer essas fronteiras transparentes evita o assédio eleitoral e pacifica as relações internas.


  O tempo de assistir ao debate da arquibancada acabou. Isto não é um simulado. Não precisamos de mais pessoas alimentando a selvageria das redes com torcidas organizadas. Precisamos de lideranças maduras que traduzam a política para o campo da governança e da gestão de risco, garantindo que o mercado continue livre, justo e, acima de tudo, previsível.

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Créditos: Reprodução/Linkedin
03/07/2026

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