Reforma tributária deve ser positiva para o setor de alimentos no Brasil
*Por Thiago Russo, Sponsor do Comitê
Jurídico, Tributário e Relações Institucionais doInstituto FoodserviceBrasil(IFB)
A
reforma tributária é discutida há pelo menos 30 anos no Brasil e teve o
texto-base aprovado recentemente na Câmara dos Deputados. O tema é complexo e
esse passo representa um grande avanço para desburocratizar o sistema
tributário brasileiro, modernizar a arrecadação e favorecer a competitividade
das empresas. Nessa série de mudanças, algumas medidas devem impactar
diretamente os empreendedores do ramo alimentício.
Os
pequenos negócios são protagonistas em relação aos empregos gerados no país. O
foodservice, por exemplo, gera 1,9 milhão de empregos diretos e formais. Além
disso, é o maior gerador do primeiro emprego no Brasil, maior empregador de
jovens de 18 a 24 anos, sobretudo negros, mulheres e população de baixa
escolaridade - e foi o segundo setor que mais criou vagas em 2022.
Por
outro lado, sofre com a alta carga tributária e com a burocracia para pagar os
impostos. Segundo o Banco Mundial, as empresas brasileiras gastam 1.500 horas
por ano para cumprir suas obrigações fiscais.
Hoje,
o segmento de alimentação trabalha com alíquotas e sistemáticas tributárias
diversas que atrapalham a fluidez dos negócios, já que os estabelecimentos
lidam com múltiplos produtos ao mesmo tempo. Agora, o projeto prevê a
unificação em dois tributos com mesmo fato gerador e alíquotas fixas, a CBS
(federal) e o IBS (estadual/municipal). O modelo visa simplificar a cobrança,
reduzir os custos administrativos e aumentar a eficiência do sistema
tributário.
Além
disso, o texto promete a redução desse imposto sobre os alimentos - o que pode,
na prática, significar pratos mais baratos para os brasileiros. Se realmente os
agentes de mercado repassarem esse potencial ganho, o preço pode cair na ponta
e aumentar o poder de compra da população sobre suas refeições.
Com
as mudanças, os players também terão mais organização sobre o que repassam ao
governo para criar uma maior visibilidade de riscos. Esse novo olhar pode
resultar em operações mais sólidas e capazes de evoluir, tanto em
investimentos, quanto em expansão e atendimento ao público.
A
reforma ainda deve passar por diversas alterações e existe a possibilidade de
se estabelecer um regime especial para restaurantes, justamente levando em
consideração o impacto do setor. A alimentação fora de casa deixou de ser uma
questão de luxo e tornou-se uma necessidade para pessoas de todas as classes
sociais.
Existem pontos a serem discutidos e melhorados na reforma, mas a
expectativa é que se mantenham positivos para o setor. Agora, é fundamental que
os empreendedores entendam as possibilidades para seus negócios e estejam
antenados aos movimentos do mercado, engajados em pesquisas e indicadores que
possam trazer segurança na hora da mudança. Conhecimento para apoiar os passos
necessários para usar a reforma em busca de impulsionar negócios e contribuir
para o desenvolvimento econômico do setor de alimentos no país.
