Oportunidades de crescimento no setor supermercadista brasileiro
*Por Vitor Medeiros, analista da Hand
O setor supermercadista brasileiro alcançou um faturamento expressivo de R$ 1,01 trilhão em 2023, representando mais de 9% do PIB nacional. Esse desempenho sólido, porém, acontece em meio a desafios significativos, como inflação elevada, aumento de custos operacionais e limitações para expansão física devido à escassez de terrenos em pontos estratégicos. No entanto, em meio a esse cenário, despontam oportunidades estratégicas que podem moldar o futuro do setor.
Um estudo recente da Hand identificou 294 empresas varejistas e 185 redes de supermercados com potencial para operações de fusões e aquisições (M&A). Esses movimentos são essenciais em um mercado onde a competição é intensa e as margens, tradicionalmente estreitas. Redes regionais têm mostrado especial capacidade de adaptação, combinando seu conhecimento local com estratégias para aprimorar a experiência do consumidor. A diminuição do foco no atacarejo e o investimento em serviços podem ser diferenciais para reconquistar clientes e agregar valor às operações.
As vantagens das M&As são evidentes. Expandir por meio da construção de novas lojas exige recursos iniciais substanciais e envolve prazos longos até que as unidades atinjam maturidade operacional. Em contrapartida, aquisições permitem ganhos rápidos de escala e eficiência, facilitando a expansão geográfica e a conquista de participação de mercado. Com mais de 300 cidades brasileiras ainda sem a presença dos 20 maiores players do setor, há um vasto território a ser explorado.
A consolidação no setor já mostrou seu impacto com exemplos de sucesso, como o investimento do fundo Advent no Grupo Big e sua posterior venda para o Carrefour, em 2022. Esse movimento reforçou a posição do Carrefour no Brasil e gerou retornos expressivos para o Advent, despertando o interesse de outros investidores no setor. Outra estratégia bem-sucedida é a do fundo Pátria, que investiu em redes regionais como Boa Supermercados e Atakarejo, consolidando um grande conglomerado com presença diversificada.
Ainda que o segmento de atacarejo esteja se aproximando da saturação, com uma projeção de crescimento limitada a mais três anos, as redes regionais estão bem posicionadas para aproveitar novas oportunidades. Sua proximidade com o consumidor e profundo entendimento das dinâmicas locais as tornam peças-chave nesse processo de transformação.
O futuro do setor supermercadista brasileiro é promissor, com uma expectativa de intensificação dos movimentos de consolidação nos próximos anos. Redes que investirem em tecnologia, gestão eficiente e no fortalecimento do relacionamento com seus clientes estarão melhor preparadas para enfrentar os desafios e se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.
