Inovação na logística brasileira: menos ficção científica, mais soluções práticas
*Por: Sérgio Simões, Operations Diretor da SimpliRoute no Brasil
Quando imaginamos o futuro da logística, é comum imaginarmos drones sobrevoando cidades e robôs humanóides carregando pacotes em grandes centros de distribuição. No entanto, a revolução da logística não está nos cenários dignos de ficção científica, mas sim na implementação de ferramentas tecnológicas acessíveis e altamente eficientes.
O setor de logística no Brasil ainda está amplamente dependente de processos manuais e ferramentas rudimentares, como o uso de planilhas em programas tradicionais. O estudo State of Logistic (2024), realizado pela empresa de roteirização SimpliRoute com profissionais do setor de toda América Latina, mostrou que essa é uma realidade da América Latina, pois 87% das empresas entrevistadas acreditam que precisam ainda otimizar suas operações, para gerenciar as demandas de rotas, rastreamento, tempo de entrega e outros.
Nas entregas de compras on-line, o custo e o prazo de recebimento são as principais percepções negativas dos consumidores, refletindo na taxa de abandono de carrinhos, que chega a 71,3%. Os principais motivos são custos extras, como frete e taxas (45%), e prazos de envio demorados (22%). Esses desafios podem ser superados com sistemas de roteirização e soluções de Inteligência Artificial (IA), que otimizam rotas e utilizam dados em tempo real para decisões precisas, melhorando a operação de transportadoras e e-commerces.
Sistemas de roteirização baseados em Inteligência Artificial são capazes de analisar uma infinidade de variáveis – como condições do tráfego, previsões climáticas e padrões de consumo – para criar as melhores rotas, reduzindo custos operacionais e garantindo entregas mais rápidas. Além disso, a automação desses processos libera equipes humanas para se concentrarem em estratégias que promovam ganhos em eficiência e qualidade de serviço e reduz em até 30% emissões de CO2, segundo o relatório McKinsey & Company (2021), pois otimiza as rotas de transporte.
O State of Logistic (2024) também mostrou que 34% das empresas identificam eficiência do transporte como principal preocupação, seguida de 25% das empresas que apontam a necessidade de implementação de novas tecnologias. O estudo falou com empresas de toda América Latina.
No Brasil, a adesão a essas tecnologias ainda é limitada. Apesar de sua comprovada eficácia, muitos players do setor resistem às mudanças por falta de informação, pelo custo inicial ou até mesmo pela comodidade em se manter em processos já conhecidos. Esse atraso cria um abismo entre as empresas que adotam a inovação e aquelas que permanecem estagnadas.
O futuro da logística está menos relacionado à drones e mais à adequação e inserção de tecnologias. À medida que empresas abandonarem as planilhas e adotarem novas soluções, como as baseadas em IA, estaremos mais próximos de um setor logístico alinhado às demandas do mercado moderno: eficiente, dinâmico e, acima de tudo, competitivo.
