ERP: O Segredo por Trás dos Grandes Negócios
*Por
Marcelo Cosentino
Se
no nosso dia a dia, ter acesso a informações em tempo real, disponíveis num
aparelho móvel, conectado à internet e em qualquer local já é algo comum, para
o mundo corporativo o cenário deveria ser igual. No entanto, ainda é possível
observar empresas que utilizam pilhas de papéis e ferramentas ultrapassadas
para comandar operações rotineiras.
Nesse sentido, o sistema de gestão empresarial ou ERP (sigla para Enterprise
Resource Planning) pode servir não só como uma porta de entrada para a
transformação digital de muitas companhias, mas também como o alicerce de um
ecossistema que passa a se integrar com a gestão empresarial. E, se por acaso
você ouviu a fake news de que "o ERP está morrendo" ou virando uma
ferramenta desnecessária, desconsidere. A realidade é justamente o contrário:
ele vem se transformando muito ao longo dos anos, evoluindo constantemente e se
tornando cada vez mais essencial para quem deseja escalar os negócios.
Em
linhas gerais, o tal ERP pode até parecer "cringe", mas é fundamental para
qualquer negócio, e continuará sendo. É o tipo de sistema que tem como objetivo
básico centralizar e organizar informações, facilitando a comunicação entre
setores, além de favorecer as análises de dados e auxiliar na tomada de
decisões com informações em tempo real. Com isso, é possível aumentar a
produtividade em diversas áreas e ainda incrementar os negócios quando somado
às estratégias das empresas. Você já ouviu falar em alguma empresa que abriu
IPO e não tem um sistema de gestão?
Parece
óbvio dizer que uma tecnologia isolada entrega um resultado "X" e que
diferentes tecnologias combinadas podem entregar mais que "2X". Mas essa é a
mais pura verdade. A evolução do ERP também é um bom exemplo a ser observado,
que começou há mais de 100 anos voltado apenas para os processos de manufatura
e que, ao longo dos anos, depois de diversas evoluções, passou a ser requisito
básico para uma gestão precisa e produtiva de todos os negócios, independente
do setor ou porte da empresa.
E
as inovações não param. O modelo de contratação on premise, que demanda
um custo maior para a contratação e uma infraestrutura maior para instalação e
aplicação nas empresas, abriu espaço para a disponibilização de ERPs em nuvem,
podendo ser contratados no modelo de assinatura mensal, como software as a
service (SaaS). Com a união da nuvem ao sistema, os fornecedores de
tecnologia conseguem proporcionar ainda mais upgrades de desenvolvimento,
disponibilizando de forma mais rápida e segura todas as novidades para o
cliente.
Segundo
uma pesquisa feita pela consultoria IDC Brasil, empresas investiram R$14
bilhões em softwares de ERP em 2020, registrando uma alta de 25% em relação ao
ano anterior. O estudo também mostra o crescimento da adoção de outras
tecnologias, como a utilização de computação em nuvem, CRM, inteligência
artificial e outras ferramentas colaborativas. Assim, notamos que, de fato, a
utilização de uma ferramenta única não é o caminho para a transformação
digital, mas sim a integração de soluções que faz a diferença no todo.
Agora,
você realmente acha que é possível ter um negócio forte no mercado, com alto
nível de governança, processos administrativos bem estruturados, entregas
fiscais em dia, visão correta do fluxo de caixa, sem um ERP? A minha dica é:
esteja sempre disposto a conhecer e adotar novas tecnologias, mas nunca esqueça
da fonte única dos dados (mais conhecida como single source of truth) o ERP.
*Marcelo Cosentino é vice-presidente de Segmentos da TOTVS
