Drone Delivery: Tendências e Desafios para Entregas com Drones
*Por Caio Reina, CEO e fundador da RoutEasy
Entregas com drone deixaram de ser o futuro e
se tornaram realidade quando, em 2013, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, anunciou
pela primeira vez planos de realizar esse serviço para o envio mais rápido dos
produtos. Contudo, ainda existem grandes desafios para viabilizar a utilização
desse novo modal em larga escala.
Em termos econômicos, a eficiência de entregas
é direcionada por dois principais fatores: densidade das rotas e tamanho dos
pedidos. A densidade de rota é o número de entregas que são realizadas em um
determinado roteiro e o tamanho do pedido é a quantidade e as dimensões de cada
caixa ou pacote da entrega.
Na logística de distribuição, ao se realizar
uma grande quantidade de entregas em um curto período de tempo ou distância, o
custo por entrega é diluído e a operação se torna mais eficiente. É nesse sentido
que as entregas com drone são mais viáveis em percursos de curta distância em
relação aos veículos tradicionais. Contudo, esse novo modelo tem limitações
importantes que devem ser consideradas nos estudos de viabilidade.
Os tipos de drones disponíveis no mercado,
usualmente, conseguem carregar apenas uma caixa e, depois que a entrega é
realizada, o drone tem que voltar para o seu ponto de origem para que seja
recarregado e retire a próxima caixa a ser entregue.
Comparando esses fatos com o estado de entregas
com caminhões, um Veículo Urbano de Carga (VUC) entrega em média 50 pedidos por
dia, em áreas com entregas bem densas. Dessa forma, pode até ser difícil
imaginar como os drones podem ser uma melhor opção. Mesmo assim, os drones
também têm vantagens: podem ser operados sem um piloto humano; utilizam o
espaço aéreo que não está congestionado; são mais rápidos do que caminhões e o
índice custo/km é muito menor que o dos caminhões.
Portanto, diferentes modelos operacionais podem
ser criados para diferentes aplicações. Uma primeira ideia que está nos planos
da Amazon é simplesmente substituir o caminhão pelo drone, ou seja, o drone
sairia do depósito, entregaria um pedido na casa de um cliente e retornaria ao
depósito. A empresa afirmou recentemente que pretende iniciar ainda em 2022
suas primeiras entregas com drones nos Estados Unidos.
Uma outra empresa chamada Matternet está
adotando uma proposta diferente da Amazon que visualiza drones realizando
entregas no jardim da casa de uma pessoa. Essa é uma abordagem interessante
para áreas rurais ou suburbanas. Contudo, fazer isso em um grande centro
urbano, no qual os clientes não têm uma área apropriada para receber as
entregas, pode não ser viável.
A proposta da Matternet é criar estações ao
redor da cidade, onde as pessoas possam entregar e receber pedidos, como uma
caixa de correio para drones. O remetente insere uma caixa em um guarda-volumes
da estação e, em seguida, um drone retira esse pedido para levá-lo a uma outra
estação da cidade. Ao chegar à estação de destino, o drone deixa o pedido no
guarda-volumes para que o destinatário retire sua encomenda.
Uma aplicação interessante que a Matternet
visualiza é o transporte de amostras de exames - como bolsas de sangue - entre
hospitais. Esse é um mercado com grande potencial, pois amostras de exames são
perecíveis e precisam ser transportadas em um tempo bastante restrito. Além
disso, os hospitais têm gastos muito elevados fazendo esse tipo de movimentação
com transportadoras e ficam reféns das condições de tráfego na cidade.
Por fim, um outro modelo operacional bastante
promissor é aquele que combina as vantagens dos caminhões com os drones. Mais
especificamente, um caminhão pode partir do depósito transportando todos os
pedidos dos clientes e um drone. À medida que o caminhão faz entregas, o drone
é enviado a partir do caminhão para entregar o pedido de um cliente que esteja
próximo. Enquanto o drone está em serviço, o caminhão continua sua rota e,
depois,o drone retorna ao caminhão assim que terminar o serviço em um local
diferente do seu ponto inicial de partida.
A tecnologia para entregas com drones já está
presente em nossa realidade e muitos modelos de entregas já foram propostos. A
JD.com, segunda maior empresa chinesa que atua no mercado de comércio
eletrônico (após o Alibaba), já utiliza drones em algumas operações em áreas
montanhosas ou remotas.
No Brasil, o uso dessa tecnologia depende do
avanço das regulamentações e da legislação para que seja implantado. Com isso,
poderemos testar outros modelos de otimização de rotas, reduzir ainda mais os
custos e continuar implementando iniciativas que incentivem o progresso do
setor.
